(trechos de “Ouvindo Vozes: Histórias do hospício e lendas do Encantado”, de Edmar Oliveira)
“Todavia, o que é o desejo, se não um delírio que pode ser concretizado?”
“A maldade não tem ideal comum, somente pessoal”
“O desamparo de ficar só no mundo, chorar e gritar sem ser ouvido. Quase um retorno à natureza e às leis do mais forte ompindo a crueldade do ciclo da vida. Duas leoas não sobreviveriam. Duas loucas, talvez.”
“O afastamento parece trazer certa tranquilidade ao inesquecível.”
“A cristalização das ideias antigas assassinavam a vida dos excluídos do mundo, dos soterrados no hospício.”
(trecho de “Cabra-cega”, de Sérgio Sampaio)
“Pra você que mal enxerga
Um incêndio na floresta no meio da escuridão
Pra você que mal enxerga
Uma estrela, um vaga-lume numa noite de verão
Pra você que mal enxerga
Uma nave extraterrena vai ser sempre um avião
Um satélite perdido, um delírio coletivo
Um balão de São João”
“Corpos com uma determinação aparente de quem sabe aonde está indo. Numa direção. Em sentido contrário, com a mesma determinação, como se avolta fosse a continuação da ida. Outros corpos como a se deixar levar, como plumas ao vento. O trajeto pode ser modificado por qualquer percalço, que por uma dificuldade de percurso, quer por uma vantagem fortuita. O movimento de apanhar uma guimba de cigarro ao chão pode determinar, no levantar, a mudança da rota imaginária.”
“As fardas do hospício, um brim azul ou cinza, num debotado campo de concentração. As calças e camisas quase sempre de tamanhos diferentes. E, muito comum, magros com roupa de gordos, gordos em roupas de magros, grandes com roupas pequenas, pequenos com roupas maiores. Parece que o hospício faz questão de vestir de forma impossível seus habitantes. Em alguns momentos os corpos estão nus. Mas, diferente do rei, todo mundo vê e ninguém se importa.”
(Trecho de “Que loucura”, de Sérgio Sampaio)
“A minha cama já virou leito, disseram que perdi a razão”
“O que é voltar a viver senão experimentar as banalidades da vida?”
“licantropia”*
(trechos de “Anotações para o cemitério dos vivos”, de Lima Barreto)
“Quase me arrpendia de não ter querido ser como os outros. Seguir os caminhos do burro e ter feito da minha vida um paradoxo.”
“Num dado momento, trepado e de pé na cumeeira, falando, cabelos revoltos, os braços levantados para o céu fumacento, esse pobre homem surgiu-me como a imagem da revolta…Contra quem? Contra os homens?Contra Deus? Não; contra todos, ou melhor; contra o Irremediável!”
“Um pequeno meteu-se no porão, armou-se de tijolos e ameaçou nãos air de lá. Os guardas entraram lá com escudos de travesseiros.”
“Houve quem perguntasse: bebemos porque já somos loucos ou ficamos loucos porque bebemos?”
“E eu não sei morrer.”
*Licantropia clínica é uma rara síndrome psiquiátrica na qual a pessoa afetada sofre a ilusão de poder se transformar, ou de fato ter se transformado, em um animal, ou que tal pessoa é, de alguma forma, um animal







