Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo…
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.
trancaria numa redoma transparente e espalmaria a mão direita, com o cotovelo encostado no joelho e o queixo quase no pulso. miraria aqueles olhos juntos até começar a gargalhar num transe vingativo. fariam qualquer movimento perto da orelha, pediriam calma, puxariam braços. mas socaria a caixa até quebrar. pra pedir desculpas, uma explicação e um lencinho pra poder lançar ao chão.
Show me the Munny. O que é munny?
Papel do lado da “cantina” da Comfil responde: Munny é um toyart (aliás, se você não souber o que vai me dar de Natal, me compra esses bonequinhos. quero muito)
Por que você não trouxe as fotos? Cadê suas fotos? O que você fez com as suas fotos?
Juliana responde: porque, sinceramente, tô mega arrependida de ter pegado essa optativa no último semestre de faculdade
Oi, tudo bem?
Já que a pessoa me perguntou isso só pra introduzir um outro assunto, fiquei de responder: Tudo bem, viu. E você?
casa, feira, zona e circo
o que quer, por onde anda, o que carrega e o que prega
a mensagem é cifrada para forjar
tem outro ritmo
muito tarde, mas ainda vale
obrigada
atendeu o pedido que disfarçava
que na verdade só tinha uma escolha
era gostar
ou ser odiado
e ganha o erro.
Me deixa deitar na calçada e apontar pra quem sair do prédio. E contar todas as histórias que eu sei. Até as que eu pareço ter inventado. Até aquelas que fugiram do subconsciente. Até aquelas em que o vilão é sempre quem tá do outro lado do punho.
Os anjinhos são testemunhas que toda noite eu ajoelho e peço pra darem uma iluminada nessa minha cabeça. mas a culpa não é minha. olha essas coisas que aparecem. gente remendo cansa demais. lembro do que eu pedi no final de 2006, lembro no que eu pedi no começo de 2007. final de 2008 vou me recolher. quem sabe não dá certo
Estão admitindo pessoas lá no Starbucks. E eu juro que cheguei a pensar e a ler como funciona o treinamento. Pensa: o trabalho é meio automático, você conhece todo tipo de gente e vive no meio de café. Não sei se quero mais pra minha vida. Minha ambição tá cansada. É Starbucks ou casar com um idoso rico para dar o golpe do baú. Mas os idosos ricos querem as loiras peitudas de 1,80 de altura. Me sobra a Starbucks, pelo menos eles colocam músicas legais…
Já li “Como me tornei um estúpido”, só não aderi ao movimento porque achei o final muito ….idiota. Depois de um ano de aulas do professor Silvio Mieli (curto o cara, mas não tive saúde pra acompanhar as aulas dele com vontade), olho na capa do iG:
Demorei bem uns cinco minutos pra associar o nome à pessoa. MAS SIM! ERA UM INTELECTUAL MEGA FODA, SUPER HIPER DUPER TWIST CARPADO IDOLATRADO PELO MEIO ACADÊMICO dando entrevista pro canal de moda??
Daí pensei: “que fútil”
Daí pensei de novo: “Fútil por que? Você trocou de sapato hoje umas três vezes”
Daí eu pensei comigo mesma: “Cara, preciso compartilhar essa coisa com alguém”. Mas fiquei com medo de falarem que nem lembram das aulas do Mieli. Quem diria…prefiro ser fútil a ser nerd?
Nos meus sonhos eu sou uma pessoa mais tolerante. Conto até 10 antes de atirar. Respiro 20 vezes antes de girar a barra de ferro. Dou várias chances antes de mandar para o paredão.
Nesses sonhos eu sou uma pessoa muito melhor. Acredito em deus e rezo arrependida dos erros que eu nunca cometi (não em sonho, pelo menos). Nele as saias todas são abaixo do joelho. E minhas mãos estão sempre onde deviam, assim como os olhos e todo o resto.
Nos mesmos sonhos, todos são protagonistas do meu filme. Todos colaboram para o sucesso do roteiro. Acordada, todos são figurantes do meu drama. Dormindo, são todos personagens da comédia.
Dormindo eu dou a mão e sorrio sem graça. Acordada, eu ando descalça e cambaleante nas pedras de um lugar qualquer.
Noutros sonhos, eles andam até a parede e eu aponto o indicador esticado para frente e o polegar para cima. Os outros dedos recolhidos, aperto um gatilho imaginário e faço eles ajoelharem e chorarem pedindo misericórdia.
Uma menina me parou na rua enquanto eu descia com o cachorro para perguntar qual era o número do Kassab. Respondi “25″, com muita certeza. Fiz parte do voto dela, fui sua cola, fui um “sorria, meu bem”. Mas todos têm direito à informação, certo? Preferia ter feito um discurso contra o voto, contra a política de politicagem. Me calei. De nada adiantaria, se eu mesma fui bovinamente apertar duas teclas (quaisquer que sejam). Festa da democracia me faz olhar o quanto eu sou hipócrita. Promiscuidade eleitoral. Putaria nas urnas. Essa coisa chamada eleição. Bate palmas, que o prefeito tem peitinhos. Bate palmas porque no domingo se vota de havaianas, olhos borrados e sem sutiã. A festa da democracia é mais ou menos como o lado ruim da rua Augusta. Todos os pecados serão perdoados na porta do céu?
Sabe quando você não consegue dormir com as idéias circulando na cabeça? Esse é o caso. Acabei de voltar de um barzinho tranqüilo com os amigos e não conseguiria dormir sem escrever o que eu pensei durante toda a noite. Vai ser difícil não ver essa galera todos os dias ano que vem. Passei por quatro colégios na minha vida, evitei qualquer laço, mas na faculdade encontrei o que posso chamar de “meus irmãos” (e nem acho piegas). Que me perdoem os outros que não habitam parte tão grande do meu coração, mas (por ordem da mesa) Bru, Flavinha, Camarão, Tchello, Mindo, Pads, Di, Thaisinha, Isa (com ausência de Danilo, da “velha guarda”) qualquer mesa de bar, qualquer calçada, qualquer lugar no mundo fica completo com vocês. Não preciso de mais nada, nem lembrar que agora faço parte de uma “teia” (mesmo contra minha vontade) pode tirar o prazer de ter a amizade de vocês. Não falo com freqüencia isso, mas amo muito vocês.Vocês me fizeram mais feliz, uma pessoa melhor. Como eu vou viver sem vocês? Vivendo…
Me preparando para as cerimônias ridículas que eu vou enfrentar para estar ao lado de vocês (formatura, casamento…), vou aprender a gostar de crianças para ver os filhos de vocês nascerem, vou juntar cada força que eu tiver para superar essa alma bicho do mato, meio nômade, meio estranha para nunca perder o que conquistamos juntos.
Era isso que eu queria escrever. E queria que eles lessem. Se não lerem todos, que leiam alguns. Que todos fiquemos velhos ranzinzas juntos. Os últimos quatro anos foram os melhores por vocês. E como é difícil pensar em 2009 sem querer voltar a 2005.
Curto muito morar nessa cidade de merda. Com esse trânsito infernal e o calor que te sufoca e a chuva que cai bem na hora em que você desce do ônibus. Defendo São Paulo contra cariocas, baianos, mineiros, gaúchos, mas como eu quero é xingar essa cidade amada do caralho! São Paulo é vício, é aquele chocolate da madrugada, é aquele que te coloca do avesso e vai embora, é a ferida que você não consegue tirar a casquinha. Irritante essa ardência no rosto e nos olhos, porque eu trabalho na roça São Paulo. Meu trabalho braçal e escravo é atravessar as avenidinhas olhando o relógio e os termômetros da rua. São Paulo cortou os quatro pulsos, os vinte, os setenta, os milhares, mas não dorme, não morre….cambaleia de cerveja tomada no sol. São Paulo me morde os dedos e beija a testa. No final, é cidade mãe compreensiva, pai rígido, irmão pentelho, amigos piadistas e caras que formulam as frases mais ridículas com sorvete. O que sorvete pode ter de tão inspirador para a chula poesia das cantadas de pedreiro. São Paulo, cidade infernal, que te puxa pelos cabelos para atravessar a rua. Buzina, xinga e sobrevive. Merda de cidade.
sempre que aparece O ”é no verão que as coisas acontecem” no MSN eu penso “tô me guardando pra quando o Carnaval chegar”. Daí passa o verão e nada acontece, chega o Carnaval e eu nem faço nada. Acho que tenho mais sorte dos anos ímpares e nos meses frios. e isso não é poesia não…é verdade mesmo.
2008 – TCC, surto total, escolhas foda, pessoas empata-vida, cachorro doente
2007 – entrei no iG, me dei bem na faculdade sem fazer muita coisa, pessoas até-que-legais
2006 – saí do CA, pessoas toscas, ciuminho, isolamento
2005 – entrei na PUC, baguncei muito, pessoas x-porém-úteis
2004 – vestibular e briga familiar
2003 – x
2002 – hmm…meio x tb
2001…ah, esquece…não lembro de nada antes de 2004…
De volta às boas idéias. Depois de uns tantos lapsos de culpa, de flashbacks ao acordar (aquele que você enfia a cara no travesseiro para o pensamento ir embora), de uns flertes com o não-resultado, de umas estouradas bolas de chiclete na provocação do barulho, de umas encaradas com pilhas de livros nas mãos, de crispar os lábios na tentativa de parecer qualquer ameaça, do velho (ultrapassado?) sorriso de canto, do lobo em pele de cordeiro, dos cordeiros em pele de …cordeiros (uff…péssimo), das expectativas de calendário, das situações inesperadas.
Não é que hoje é dia 22?
Boa música e clipezinho com boas idéias (não se incomodem, xuxus. A cantora também é lindinha para sua diversão e deleite)
Não, não vou mudar de casa (nem de blog, o que seria muito mais provável). Eu só tava pensando o que eu quero ter quando eu morar sozinha. Pensa numa sala..nem precisa ser grande não. uma sala cheia daquelas almofadas enormes, com um projetor e uma parede branca. No quarto, uma poltrona de ônibus (já disse que meu melhor sono foi encolhida numa viagem de São Paulo até o sul da Bahia de ônibus?) e araras no lugar de armários - porque eu não sei dobrar roupa -, um computador, uns cds, um abajour. Banheiro normal (não tenho nada de especial por essa parte da casa, desde que o chuveiro não seja aquele “dois pingo” e seja quente). No resto, cozinha com uma indispensável cafeteira.
Com essa casa e sendo sócia em um boteco legal (outra idéia a se desenvolver), não preciso de mais nada na vida. (mais nada? hmmm….talvez um cachorro)
Três horas da manhã, com coração de seis e meia. Ombro, olhos e cabeça embaixo da terra de tão pesados. Devolvam minha uma hora, minha noite, minha respiração pelo nariz. (dormi mal, muito mal). voltar para a rotina de dias contados e ser jogada numa discussão existencial, mas que valeu. Sou satisfeita com o meu trabalho, tenho relativo sucesso no que eu faço pela idade que eu tenho, mas sou covarde e careta (ai). Meu mau humor é visível, assim como o sono. You see what you get. Ou qualquer outra expressão esnobe e pop. Incapaz de jogar tudo pro alto. Minha segurança é o quanto sou previsível pra mim, mas não pro resto do mundo. (ok então). saindo do banheiro, de cara com a nova “eu”, respondo que amava o que eu fazia antes. passei a semana criticando a apuração alheia, porque eu queria estar lá, na linha de frente, com uma mão no bloquinho e outra no estômago cheio de furinhos. fui atrás do passado. da perda de tempo que é andar na biblioteca da faculdade. a arrumação dos livros não tem qualquer lógica pra mim. ia pegar um Puzo e acabei saindo com um Aquino sobre matadores. (hm). do lado um guri tocando no piano (porque do lado de fora da biblioteca existe um) a “Valsa de Amelie”. parei. fechei os olhos e acordei. rezei para cada caso. e vi numa livraria a capa de um livro chamado “The ecstasy of things”. Achei lindo. queria continuar extasiada, mas é cada vez mais cômodo ficar ignorante.
eu tenho sono. o sono. ele me tirou pra dançar. e eu fui.
sempre bom perder uma hora de sono na semana seguinte a de saco cheio. Já aviso que durante a semana que segue meu humor pode apresentar picos e baixas. Esperem até o dia 27 para me darem más notícias, declarações inesperadas, conselhos maldosos, cobranças e brincadeiras de mal gosto.
todo mundo do outro lado da porta. do lado de lá, passo pro lado de cá. todo mundo daquela margem de lá. a gente olha, sorri, acena, berra qualquer besteira. todo mundo brinda de bochecha vermelha. mas nós não. A gente fica desse lado do vidro nesse silêncio. Mas se quebra o caos, corre para o outro canto e depois volta. Se acalma o mundo, perde a graça. Soltei e para lá não tem como voltar. Aqui não é ótimo, mas é o ideal, o merecido, o inevitável. mas se existe mais que um, se vários se abrigam para fora da fronteira, ajoelha e confessa.
Já é final de tarde e eu ainda não debochei de ninguém…tive oportunidade, mas eu tenho noção do perigo. A melhor foi com um motoboy que tava “catucando” a cara no espelhinho. Não sei o que ele “catucou”, mas desviou o olhar todo orgulhoso. Minha vontade era gritar “VAI LÁ E ARRASA!”…mas era bem capaz do sujeito dar uma voadora no meu café…
Tô levando à sério essa nova idéia de carreira. Jornalismo feminino. Por enquanto, eu tô achando que não dou pra coisa mesmo. Mas o primeiro dia de pesquisa tá engraçado e deu pra aprender algumas coisas. Pérolas fazem parte dessa promoção da titica na cabeça-mulherzinha:
“Pouca gente sabe, mas a bebida também manda mensagens. Por exemplo: uísque com gelo, uma cerveja (de boa qualidade!), um coquetel sofisticado dão dicas sobre a personalidade. Nada de pedir aqueles drinques pocho-e-conga, tipo cuba-libre. Você não é o Fidel Castro” (mas a gente encontra muitos sujeitos que acham que são o Mickey)
“Mostre firmeza! Olhe ao redor com segurança, fazendo contato visual com a pessoa que lhe interessa. Mas não fique encarando o moço como se ele fosse o último lançamento da Prada. Discrição, please” (Pausa para flashback: cara de paisagem numa situação totalmente monótona)
“Fantasias de enfermeira, babá e estudante podem criar um clima mais solto e libertino. Ele também pode virar encanador ou bombeiro” (Pausa para ataque de riso)
“A escada da sua casa ou do parque vai virar um potente equipamento de fitness. Malhando nos degraus você queima gordura, torra 400 calorias e tonifica a musculatura”(eu trabalho no oitavo andar e vou de elevador…ah, foda-se)
“Você já sentiu aquela vontade de dizer ‘eu te amo’, mas no momento deu um frio na barriga que a deixou paralisada? Crie coragem e abra o seu coração, pois você não se arrependerá” (“oi, meu nome é juliana e eu te amo” hahahahahaha….acho que vale a experiência pra ver a reação)
“Uma pesquisa apontou que a estrutura facial dos pais é tida como padrão para as filhas na hora de eleger um parceiro, mesmo quando elas são adotadas” (não, eu não gosto de caras parecidos com o Raul Seixas)
Cada um interpreta as coisas do jeito que quer. O que não pode é colocar as mãos no lado esquerdo do peito e vomitar baboseiras hipócritas. Enquanto uns querem Llosa romântico e outros Fante cheio de pretensões, o mundo gira numa rota diferente das dos gênios falsos. Um fim trágico é o teste para o caráter. Uma tola morre e o outro mata caranguejos. Como eu devia ter apertado mais os dedos naquele pescoço em final de ano. (Na frente da igreja. Ah ironia). O outro merecia soco nos calos, nas dobras das mãos. Se um dia os terceiros me odiarem, saibam que foram esses e só esses e todos esses e esses.