o mundo é meu cantinho da disciplina

é um susto esse homem!
Cristo senhor, em todo lugar.
Toda hora aparece mexendo a boca e olhando pro nada.
é sinal de vida e de morte.
mas sempre aparece esse bem, meu bem
e andando e cantando
de mal de mim
e eu do mal e
ahmeudeus que vem ele de novo
amuletinho dos sonhos e da real
mas cria alguma música pra me acalmar
e esses copos d´água de olhos açúcar
vê se surge menos
e apague esse giz que prende
e cerca meus passos.
No meu sonho, um leão sem dentes circulava pela casa e tudo o que ele fazia era pedir um chocolate quente.
ninguém no mundo é um só. Cada nome carrega um caminho a seguir e dá opções ao mundo que nos cerca.
ele é um. ele é dois. ele é três.
e comigo não é diferente. eu sou um – uma estampa cômica de menina que penteia bonecas e dá leite aos gatos. eu sou dois – que calcula, pensa, respira e segue em frente. eu sou três – alguém que deixa os dedos dos pés sempre no limite de um penhasco ou vão.
Antes, nossos três saíram por aí, para curar mágoas, para embaçar vidros, para perder a noite. Nossos três ficaram extremos. A louca e o infeliz. Eu de vidro e ele de chão de terra batida. Como a soma desses três não foi um (e nunca o é), fomos espalhar essa matemática por outros números. Covardia, vadiagem, espera.
Retomamos e agora estamos dois. saindo das trincheiras.
A tendência, no entanto, é que viremos cada dia mais um, cada um, que na soma dá dois. que é um número bom. cada um na sua linha de campo, com sua bandeira, defesa. De uma alegria sem fim de ser “juventude” e de ter, mesmo que não literalmente, “renascido” (aquele desenho da nuca sobre o qual nunca perguntou).
Mais uma não resenha. Na dúvida entre “Che” e “Ele não está afim de você”, acabei optando por “Segredos Íntimos”. Eu e umas senhoras que estavam na fila antes da outra sessão terminar, um homem gordo que ri alto e um casal que não sabe beijar em silêncio. Todos numa micro sala de cinema chamada “Aleijadinho”, do HSBC (meus dias de meia entrada estão literalmente contados).
O filme é um ode à fé e ao amor. Como nem um, nem outro têm fronteiras…qualquer expressão que fosse dos dois seria válida e bem-vinda a esse pobre corpo cansado depois de duas horas saracutiando pela enormegigantescamegalomaníaca Livraria Cultura. Saldo de livros encontrados e comprados: 0. Saldo de livros desejados: 3. Saldo de livros comprados no corredor de livros que fica embaixo do Bellas Artes: 2. A 20 pratas.
Comecei a empoeirar os dedos no metrô mesmo. “A insustentável leveza do ser”. Nunca tinha lido Kundera. No outro braço “Pantaleão e as Visitadoras”, do Llosa. No corredor, o atendimento simpático de um senhor e uma cantada horrível de um guri que devia ter uns 18 anos e tinha cara de emo. Saldo de casais gays no cinema: pelo menos 3. Casais héteros: incontáveis. Sozinhos convictos: três só na fila da pipoca.
De poeira em poeira…me agarrei muito tempo na medalinha que carrego no pescoço. Dei pra agradecer, pedir e até (pasmem) perdoar e me autopenitenciar.
Talvez todo mundo precise mesmo de uma ajuda…daqueles rituais do filme…os quais eu já esqueci o nome. Parece que foi mais um filme para eu recomendar achando que manjo muito. Não manjo nada.
Não manjo nada de nada. Nem do que só eu poderia manjar. E não ligo não. A ignorância tem suas vantagens.
Agora posso colocar aqui né?
Para quem eu já não contei (e eu contei pra todo mundo, acho), tô em homes. “O que é homes?”, já perguntei e vc me pergunta. Bem…abre a página do iG…tá vendo tudo o que não é notícia? Então…eu meio que mexo no resto. Eu e mais quatro meninos.
“Paraíso”. juro. trabalhar com home e homem é outra coisa. Só de lembrar que eu serei a única com TPM nos arredores…dá dó.
Mas não é essa a razão do post. É dizer que tem gente muito, mas muito legal no mundo. Os que te ajudam, os que te aturam, os que deixam milhares de músicas lindas pra você ouvir no computador.
Até quem você ainda não consegue digerir totalmente…fica legal. Não tem pra onde fugir. e isso não é tão ruim quanto eu achei que era. tanto quanto eu nunca esperei…já que..como disse em outro canto daqui…o mundo dá voltas (voltas loucas) e alguma coisa ou ser ou força…sei lá…parece brincar com a gente…como se fôssemos fantoches.
Otimismo.
Mirando porquinhos de pelúcia e as caixinhas de leite do clipe do Blur e ouvindo o CD Ao Vivo do Los Hermanos…não tem nada que eu queria melhor na vida.
Bom é trabalhar com aquela onda de leveza.
de novo.
(:
Ele Não Está Tão a Fim de Você ou Che?
Feio ter essa dúvida né?
Mas eu tô tendo.
a melancolia sempre deixou a gente um pouco mais elevado não é, mt?
Anyway, I can try
Anything it’s the same circle
That leads to nowhere and I’m tired now.
Anyway, I’ve lost my face,
My dignity, my look,
Everything is gone
And I’m tired now.
But don’t be scared,
I found a good job and I go to work
Every day on my old bicycle you loved.
I am pilling up some unread books under my bed
And I really think I’ll never read again.
No concentration,
Just a white disorder
Everywhere around me,
You know I’m so tired now.
But don’t worry
I often go to dinners and parties
With some old friends who care for me,
Take me back home and stay.
Monochrome floors, monochrome walls,
Only absence near me,
Nothing but silence around me.
Monochrome flat, monochrome life,
Only absence near me,
Nothing but silence around me.
Sometimes I search an event
Or something to remind,
But I’ve really got nothing in mind.
Sometimes I open the windows
And listen people walking in the down streets.
There is a life out there.
But don’t be scared,
I found a good job and I go to work
Every day on my old bicycle you loved.
Anyway, I can try
Anything it’s the same circle
That leads to nowhere and I’m tired now.
Anyway, I’ve lost my face,
My dignity, my look,
Everything is gone
And I’m tired now.
But don’t worry
I often go to dinners and parties
With some old friends who care for me,
Take me back home and stay.
Monochrome floors, monochrome walls,
Only absence near me,
Nothing but silence around me.
Monochrome flat, monochrome life,
Only absence near me,
Nothing but silence around me
Assumo: pensei em dar um tempo nesse blog pra não escrever (mais) merda. Cheguei à conclusão, porém, de que isso não é possível. Não pra mim.
Enfim…ontem me disseram que esses desabafos daqui os divertem. Até que ontem, anteontem, semana passada, mês passado, ano passado….sei lá eu….isso começou a ficar divertido até pra mim. Até um personagem amado eu criei! (e agora vou precisar matar).
Mas enfim… tive a prova de que “deus castiga” e de que “o mundo dá voltas” e nada disso tem sabor amargo. Não tanto quanto eu imaginava. Quando te colocam num labirinto, pra te testar, ver até onde você vai sem cair no choro, você só fica mais forte. E a certeza é ainda maior. A certeza de que não tem nenhuma mínima certeza nesse mundão.
Tudo isso é um filme. E vocês estão nele.
este blog estará fechado para exame de consciência da autora.
Tô vendo de baixo, pra poder subir..
tô vendo de cima pra poder cair
tô divido pra poder sobrar
desperdiçando pra poder faltar
devagarinho pra poder caber
bem de leve pra não perdoar
tô estudando pra saber ignorar
eu tô aqui comendo para vomitar
Eu tô te explicando pra te confundir,
Eu tô te confundindo pra te esclarecer,
Tô iluminado pra poder cegar,
Tô ficando cego pra poder guiar.
Suavemente pra poder rasgar
com o olho fechado pra te ver melhor
com alegria pra poder chorar
desesperado pra ter paciência
carinhoso pra poder ferir
lentamente pra não atrasar
atrás da vida pra poder morrer
eu to me despedindo pra poder voltar
Eu tô te explicando pra te confundir,
Eu tô te confundindo pra te esclarecer,
Tô iluminado pra poder cegar,
Tô ficando cego pra poder guiar.
(Tom Zé)
fuga
Acepções
■ substantivo feminino
1 ato ou efeito de fugir
6 Derivação: sentido figurado.
ação ou recurso para subtrair-se a uma dificuldade, a um dever etc.; escapatória
Ex.:
7 Derivação: sentido figurado. Regionalismo: Brasil.
o que resta, o que sobra de algo; margem, sobra
8 Derivação: sentido figurado. Regionalismo: Brasil.
situação oportuna; ocasião, ensejo
a minha vontade era gritar um oi, só pelo puro prazer do deboche.
ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh….
“36″
“Essa merda não pode ser 36″
“Como eu vou sair pra almoçar com esse sapato solto”
“Hã? Papel higiênico? Tá mãe, coloco”
“Não adiantou. Puta merda. Como eu vou sair pro almoço?”
moral da história: sapato de mãe só pra fazer peça de teatro quando você tem menos de 10 anos.
Depois do show do Radiohead e do mundo todo falando que foi f* e lindo, atinei que tô ficando mão de vaca.
“você fala em carma como se fosse uma coisa infernal. eu entendo como a oportunidade de costurar os furos daquele casaco velho cheirando mofo. a roda gira, passa pelos mesmos pontos mas é aquela história da água do riacho, que nunca mais é a mesma. e você me diz que é ruim voltar para casa. não é igual. é o preço que você paga. com deus. com o que quer que você acredite. com sua consciência. você não é a mesma, nem ele, nem o lugar, nem a folha do calendário. é até simbólico esse retorno. é como arrumar a cama para sonhos (ou pesadelos) diferentes. muita gente vai girar nessa roda gigante que você criou ao longo da sua curta vida. não falo nisso como um castigo, que é como você entende o tal carma. é uma missão. o que não te consome, te fortalece. fora que te faz levantar. não era uma guinada que você precisava? ninguém vai pra frente até resolver as pendências. não constrói toda vida numa base falha que tudo vai ruir.”
Em setembro do ano passado, eu já tinha a sensação de que não vou morrer de acidente, nem de doença, nem de velhice. Vou morrer de esperar.
- banda cigana no ônibus das 22h.
- “devia ter feito alguma coisa naquele dia mesmo. que fosse eu ter dado o fora. que fosse eu ter cansado. não ele.”
- o hippie parecia a figura que eu imagino do meu pai, agora depois de 5 anos de ausência.
- um café, uma conversa e uma chance. só porque é domingo.
- São Paulo só tem gente neurótica.
- No Metrô, todo casal é feliz.
- “Somos igualmente inúteis e sós.”
- “Eu não me conheço muito bem, mas sei algumas coisas. ehe”
- de costas, como o outro, tinha orelhas tristes. Lembrei dele. de novo.
- “Eu fugi. Não, não é a palavra certa. Eu fiquei lá e fui me afastando e te vi cada vez menor. bem pequeno”
- don´t let me down this time. e o travesseiro que sabe.

“Questo testo è il primo monologo che scrivo. È il racconto di un piccolo nóstos, un ritorno a casa dopo molti anni. C’è un uomo che una volta era stato un ragazzo e che dopo molti anni ritrova in un caffè un altro uomo che una volta era stato un ragazzo e che aveva fugacemente amato con tutta la vita dei quindici anni. Questo piccolo ritorno senza importanza è la stenografia emotiva di un pensiero, è la frammentazione di un ricordo riemerso alla mente e subito dopo scomparso. Ma non è un funerale del passato. Semmai è la celebrazione della giovinezza, un omaggio al cuore libero dell’uomo, una pietra lanciata contro qualsiasi
ghettizzazione dei sentimenti.”
Letizia Russo
‘Primo Amore’ di Letizia Russo è un canto dell’anima che va a specchiarsi nelle sue origini e candidamente cerca la pace di una dipartita improvvisa, figlia dei quindici anni. L’uomo che parla pensando, o meglio pensa parlando, ha ora quarant’anni, ha trovato nel suo nuovo mondo una dimensione a lui idonea e lì nel suo paese reincontra il suo primo amore, che non ha mai conosciuto dimensioni idonee, che non è mai fuggito, che non ha mai conosciuto legittimità alla sua omosessualità. È rimasto nel basso che non comprende, non accetta e neanche prevede, in quel basso dove la sua natura diversa è rimasta non detta, deviata, soffocata. Questo brevissimo riavvicinamento, dilatato liricamente in un groviglio di sensazioni contraddittorie, è lirica per voce, è partitura da suonare e interpretare per l’incanto di quei momenti brevi e lancinanti che danno un nuovo sapore alla strada della vita.
Paolo Zuccari
A autora do monólogo e o ator que interpreta a versão original de “Só”, em cartaz no SESC Paulista, negam que a peça seja um funeral do passado. Eu não entendo muito de teatro, mesmo porque fazia anos que eu não assistia nada. Dessa peça, no entanto, saí com toda a carga que alguém poderia absorver do texto e afogada com a cenografia de luzes (assim como o sujeito, tenho uma fascinação pela energia elétrica) e tive o MEU funeral do passado.
Uma pena que eu não encontrei a parte do texto em que o sujeito descreve o “pavor” do Dia D, mas sei (tenho absoluta certeza) que as 40 pessoas ou menos que estavam lá lembraram da história de um amor frustrado e que também pensaram, como eu, que seria melhor ter matado o alvo de afeto, para que aquilo se cristalizasse no tempo e não corresse o risco de terminar, como sempre acaba (e mal.).
“o legal é que vc usa essa coisa de bilhete mesmo, de postit. textos curtos, recadinhos, coisas que só vc entende por sinal…huahuahauhuahauhauh”
Ná….nem tinha pensado nisso.
No domingo, eu vou gastar 10% do que os fãs de Radiohead e Los Hermanos.
Na segunda, vou ouvir gente falando do Camelo, do Amarante e do Thom Yorke. Eu estarei falando do João Miguel.
Azar o meu?
Nada é fácil pro Corinthians, minha gente.
A: :)
B: :)
A: :)
B: :)
“everytime i see you falling, i get down on my knees and pray. i’m waiting for that final moment, you say the words that I can’t say”
“Ele abre a boca para ouvir e espalma as mãos para abraçar. Seria estranho se não fosse mágico, dizem. Mas assim que um carinho estranho te faz crer que o dia de hoje é o melhor de todos. Até quando o sol entre nuvens não te deixa abrir os olhos como quer. Assim que ele sair de casa, as ruas tomam outras curvas. As que tinha mão para a direita, são agora para a esquerda. A chuva sobe, ao invés de cair.”
Defumada d´Amauri, até que promete esse resto de vida.
“Quando Ursula e Dominique encontram um estranho livro, Ursula decide usá-lo como diário, sem saber que o livro realiza tudo o que nele se escreve. Possuída por este poder, o mal se vira contra seus colegas de escola, e Dominique tenta detê-la, antes que seja tarde.”
depois de Moloch, claro.
“ACEITA ESSE GENGIBRE COM SAL E LIMÃO QUE TE OFEREÇO, Ó ÚNICA-COISA-BOA-DE-SE-VER-DESTE-ANDAR!!!!”
Tadinho….ele merece um chocolate quente da máquina…
― Escrevo porque sou testemunha. Escrevo para dar voz a quem não tem voz. Escrevo porque meu país está aprendendo a ler ― respondeu um baixinho grisalho, provavelmente comunista.
― Escrevo porque não sei tocar saxofone ― disse o quarentão barrigudo que estava ficando careca, mas ainda tentava disfarçar. Provavelmente brocha.
― Não tenho the slightest fucking idea! ― gritou a jovem paulistana de roupa fashion e cabelos picotados. Provavelmente idiota.
― Engraçado, nunca ninguém me fez essa pergunta ― rosnou o gringo entediado. ― Acho que escrevo porque sou muito bom nisso. ― Certamente babaca.
― Escrevo porque escrevo porque escrevo porque escrevo ― mas isso ela já nem lembra quem falou, porque a essa altura desistiu de impressionar seu novo namorado intelectual e partiu sozinha para Trindade numa traineira que tinha o seu nome, Anna O., até a inicial era a mesma, e por dois ou três meses não teve vontade de escrever nem bilhetinho para colar na geladeira.
(publicado no blog Todoprosa, de Sérgio Rodrigues)
Ele não me perguntou. E eu não saberia responder também.