Branca, branca, branca. Como os dois cães, procura num canto da cama ou nos pés dela um pouco de sol que já não bate no apartamento. Construíram todos outros prédios do lado esquerdo, há tanta sobra na frente e somente uma cozinha fria à direita. Não tem onde. Agraça é torrar ao sol com algum barulho de mar, e lá é só buzina, máquinas ‘jet-deu-sabe-o-que’. Branca, branca, mas tão branca. Um dia desaparece.
Arquivo para Abril, 2009
Dizem que não sirvo pra gostar de ninguém
Que não faço nada que não seja pro meu bem
Falo coisas de mau gosto
Não posso evitar
E há quem mesmo vire o rosto
Ao me ver chegar
É difícil respirar sem você
Não,
Ela só quer
Que eu goste,
Algum lugar
De ser má,
E o que ela não
Mas sorrir pra que?
Vá se lembrar
Espero, espero
Já vai longe o tempo
Mas te espero
Um dia pode ser
Talvez eu volte a ver
Todas as cores que fugiram junto com você
Eu só digo a quem me pede
Que eu tenha um bom coração
Que me dê uma razão
micro-vida 1
Tem duas pintas na bochecha direita e quatro na esquerda. Nesses três diferentes encontros, no primeiro não sabia qual linha pegar para chegar a tempo no curso de português e eu orientei errado, como de costume; no segundo e no terceiro, só atravessou a catraca do ônibus quando já estava perto do destino. Penso que é alguma coisa dos venezuelanos. A gente se sabe, mas não se fala. Enfim, além das pintas, ele cortou o cabelo na segunda e parece menos mistura de branco com índio, a qual eu já não lembro o nome.
Era realmente um oportunidade de tentar falar o espanhol, mas eu sempre penso que puxar assunto com estrangeiros é escrachar a fama de vadia que a brasileira tem, mesmo que eu não seja uma (vadia, não brasileira). Daí conto as pintas, reparo nos cabelos e ele mostra as covas daquele jeito “la brasileña”.
Não consigo evitar de ouvir quando ele atende ao celular. Satisfeita, me sinto preparada para o tal exame do diploma e nem lembro se era com a mãe, pai, imrão, mulher com quem ele falava.
Mas meu venezuelano de estimação veio substituir o platinado do ônibus das 19h. Tanto, que não consgo mais ler ou colocar os fones quando a gente espera no mesmo ponto. Até o dia em que eu receber minha aprovação e ter a cara de pau de puxar assunto. Mesmo que isso confirme (para ele) a fama de puta das brasileiras.
Fodida na cabeça e qualquer.
Rolando pedrinhas com os sapatos sujos só para levantar uns rituais de adoração aos bundões desse mundo.
Mas se o dia é ruim viva quem dá um pouco de emoção a esse calor medíocre das suas bochechas.
Jeca, merda, puto.
Somos dois e uns milhares, com a mesma agulha colada num braço dobrado. (“não tem agulha”)

TPM – 2
Velho, fecha essas pernas. Andar no ônibus apertada por um imbecil que não consegue juntar os joelhos é f*. Mas o que me deixa fula é essa m* de passado. P* que o pariu! Como pode alguém ser tão nhonho? C* o sujeito só pangua, só dá risada. Sério. Minha vontade é fechar os punhos e descer a porrada naquele m* e na outra. Cochicho o dia todo. C***. B****. M*****.
Je ne comprends pas
Essa noite sonhei que mt era um mulato e não o branco quase de sardas de sempre. Mt tava num auditório, missa, comício…qualquer coisa. E eu, lá dos fundos, via que ele chorava. Assim como fora dele, no sonho eu tinha um quê de masoquista-Madre-Teresa e ia perguntar o que acontecia. Assim como fora dele, também, mt tinha vários jeitos e naquela hora me tratava mal. muito mal.
Je ne comprends pas
Essa história toda é mesmo um crime.
A gente matou, morreu e terminamos assim. Como um arquivo morto em repartição fechada. Nós cheiramos a guardado, mofo, velharias de sebo. E de quem é esse medo tão grande? A quem importa mais reabrir essa narrativa se até o que nos redime (e condena) já prescreveu. Não se reconhece um traço de noite em todos os expressos papos. Sorrisos melancólicos de quem lembra tudo e sabe tanto e mesmo assim passa em branco pelas multidões daquela só.
Essas mãos são só um prova de cada linha que ela leu. Da cabeça, do amor, da vida, da sabedoria. Tudo acabava em um e inevitável caminho: recomeço. Já subiu cada vértebra até ler o que passa no avesso dessas milhares que te falam em centenas de tons e só trazem um par de olhos e uma unidade de coração.
I’m just a little person,
One person in a sea
Of many little people
Who are not aware of me.
I do my little job
And live my little life,
Eat my little meals,
Miss my little kid and wife
And somewhere, maybe someday,
Maybe somewhere far away,
I’ll find a second little person
who will look at me and say,
“I know you
You’re the one I’ve waited for.
Let’s have some fun.”
Life is precious every minute,
and more precious with you in it,
so let’s have some fun
We’ll take a road trip way out west. You’re the one I like the best.
I’m glad I’ve found you,
Like being around you
You’re the one I like the best.
Somewhere, maybe someday,
Maybe somewhere far away,
I’ll meet a second little person
And we’ll go out and play.
eu devia é começar a falar essas coisas que se acumulam na barriga. depois do começo e na frente do final dela.
And every time I scratch my nails down someone else’s back
I hope you feel it…well can you feel it
O que eu não ganho eu leso
Ninguém vai me gozar, não jamais
Era isso, mt. Eu esbocei uns desaforos…umas palavras más….porém cheguei à conclusão de que tudo fica muito mais engraçado quando a ironia te puxa pelo umbigo. meu carminha…onhonhó
LOVE
J
Solidão à dois de dia
Faz calor, depois faz frio
Você diz “já foi” e eu concordo contigo
Você sai de perto, eu penso em suicídio
Mas no fundo eu nem ligo
Você sempre volta com as mesmas notícias
Eu queria ter uma bomba
Um flit paralisante qualquer
Pra poder me livrar
Do prático efeito
Das tuas frases feitas
Das tuas noites perfeitas
Solidão à dois de dia
Faz calor, depois faz frio
Você diz “já foi” e eu concordo contigo
Você sai de perto eu penso em homicídio
Mas no fundo eu nem ligo
Você sempre volta com as mesmas notícias
Eu queria ter uma bomba
Um flit paralisante qualquer
Pra poder te negar
Bem no último instante
Meu mundo que você não vê
Meu sonho que você não crê
meu caro.
Como é mais fácil alimentar esse gênio mau, meu caro. é só remoer uns tantos fios da memória para lembrar como você, meu caro, parece um velho ou um cão sarnento. Mas isso é só fruto dessa tal terapia de odiar. Meu caro, eu nunca quis. Mas é o jeito de cada um se virar nessa vida. Você se cala e eu, meu caro, só vivo para infernizar quem arranha meu orgulho. E esse é grande, meu caro. Aliás, meu caro, nunca te disse, mas você mexeu com a alma errada nesse mundo. Não que isso seja uma ameaça ou qualquer coisa parecida. Mas existem correntes muito pesadas a se carregar quando se trata de tropeços sobre outrem, meu caro. Meu caro, dói muito mais em mim, você sabe, você vê. Mas um dia, se tudo caminhar como sempre caminha, quem vai exercer tal terapia será você, meu amado, querido e detestado caro.
no meu sonho, simpatia é quase amor.
daí eu acordo, simpatia é só sonho mesmo.
acordada, coincidência é quase sinal.
mas daí, esquecimento e fuga é tudo que sobrou.
faz o favor de sair?
Robyn Hitchcock – America
Where do you live? Where do you eat?
Do you still live on Semaphore Street?
The children we were have grown into us
You in a car and me in a bus
How do you know you’ll recognize me?
I’m not too clear, but I’m easy to see
Moving alone through the fossilized crowd
People in motion who feel so loud, yeah
I gave America your name and she taped it on the sea
I gave America your kiss and she blew it over me
What ya see
How do you know when you’ve gone too far?
Look in the mirror, that’s where you are
People go by on their legs and their hands
Bury their heads in the evening sands
I gave America my blood and she drank it gratefully
I told America her weight and she said you’d wait for me
All of me
Someone like you impresses my head
Maybe it’s true I’m not totally dead
This is goodbye, yeah, I’ve said it before
This time you’re not gonna see me no more, well
I gave America her head and she fired it at me
I gave America her mouth and she turned it on to me
I gave America her heart and it’s beating over me
I gave America her gold and she melted over me
“Confie em todos, mas não deixe de cortar as cartas”
Como se entrega empacotada essa vida toda:
Quando comecei a ter provas na escola, minha mãe me dizia que a primeira ideia que tivesse, a primeira resposta que achasse ser a certa, normalmente seria a melhor. Comecei a seguir isso em tudo. Falando, sentido, pensando, vestindo, caminhando em direção ao primeiro palpite (mesmo que cruzasse com outros milhares pelo caminho). Nesses chutes, dei uns tantos tocos em garrafas, latas e em algumas pobres – pobres demais – almas. O que vier de certo ou de errado foi meu primeiro palpite. Ainda mais quando a história corre com os protagonistas assim distantes. O primeiro lance parece sempre o melhor do ponto de vista de quem ensaia.
a não-resenha

Valsa com Bashir.
Se eu não tivesse saído quase de ponta cabeça do cinema, nem me daria ao trabalho de digitar o nome do filme no Google.
Se as guerras são amarelas, como vamos saber. Ele não estava em combate, eu não estava em trincheiras. Não pegamos em armas, nem nos escondemos. Mas se um casal de velhos insiste em ocupar a cadeira ao lado. E se ele a pega pelos cotovelos na saída do cinema, E se por acaso um garoto de barba surge para te tentar com um sundae nas mãos. E se a vontade de gastar é maior que a de ler. E se teme uma olhada mais atenta aos papéis apresentados na bilheteria. E se é um bebê chorando no metrô. E se é um menino de braços duas vezes mais grossos que as pernas (de óculos escuros) que encara. E se atrasam todos. E se você se adianta. E se não acordou com dor de garganta. E se está com preguiça de gente. E se – por hoje – não odeia aquele outro. E se pede perdão pelo milésimo pensamento. Mas e se não toca o telefone? E se o mundo acaba? E se te revolta? E se faz frio? E se não faz calor? E se você ri dos quadrinhos? E se ele segura as calças no meio da livraria. E se fecha a mão com uma mariposa dentro. e se grita “vai timão”. E se eles não são mais tão amados. E se falta frescor. E se falta beijo na orelha e se sobra hipocrisia. E se ele longe. E se ele perto. E se ele em todo lugar. E se ele nas paredes. E se ele escorrendo pelo ralo. E se ele apagado. E se ele vivo. E se ele morto. E se não ele. E se outro. E se outra. E se outros. E se só. E se sempre. E se nunca. E se faz. E se odeia. E se crê.
as crianças tão bem
Esquisitinha de 9 anos volta toda vez que ele fala LOWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWW
(Insatifeito. Bastante. Muito mesmo. Uma graça. Sem tamanho. Muito mesmo)
APERTAVA SEUS OLHOS PARA VER ESTRELAS…..mas seus passos nos tênis velhos…
Ah se pudessem te ver agora.
Esticou os dedos indicadores e cruzou seguindo em direção aos lábios, cruzou e descruzou beijando as juntas. Jurava assim ser mais feliz que ontem e menos que amanhã.
luz no fim do túnel
sol⋅ace
–noun Also called sol⋅ace⋅ment.
1. comfort in sorrow, misfortune, or trouble; alleviation of distress or discomfort.
2. something that gives comfort, consolation, or relief: The minister’s visit was the dying man’s only solace.
–verb (used with object) 3. to comfort, console, or cheer (a person, oneself, the heart, etc.).
4. to alleviate or relieve (sorrow, distress, etc.).
Um tanto de vida pra chamar de tudo. Um otimismo desses livros, revistas, abraços, conversas…Mas se a novidade te alimenta, menina, faz dela todo dia. Se não sabe o que é um açaí na tigela, um andar descalço na frente do prédio, um pelo de ferret, busca.
De repente essa massa é mesmo culpa deles.
De repente…é perdão.
De repente, é outro caminho.
De repente, essa tosse quer te fazer expelir um tanto de morte que te trouxeram as análises tortas de quem não está dentro dessa cabecinha.
Ele me disse.
Tinha um batalhão de coisas pra escrever nesse dia cheio, mas, como disse Mestre Egypto, tudo cabe em poucas linhas.
Minha gripe passa depois q eu saio do trabalho.
RUIM COM, MUITO MELHOR SEM.
tão fofo, mas tão fofo que dá vontade de apertar. Holly, holly punk boys.
esse bichinho venenoso soprava maus conselhos. Puxava a mão e segurava a cabeça, fechava a boca e hipnotizava. Aumentou a música no último volume para não ouvir um fiapo de segredo ao lado, nem espichou os olhos para saber o que escondia.
O Diabo me mordeu… Laiá laiá
O Diabo me mordeu… Laiá laiá
E um anjo lá no céu de tanto rir de mim a sua asa ele quase perdeu
E um anjo lá no céu de tanto rir de mim a sua asa ele quase perdeu
Bichinho que deixa humano o mais cruel e frio.
We can be Heroes
matéria do El País sobre herois
..e tanta gente medíocre por aí
Se eu te trato mal…
é porque a melhor parte do meu dia é quando você fala tchau
mesmo quando eu não consigo escutar
ou finjo não ouvir.
Mais do que isso, um dia eu chego muito louca e começo a te tratar bem.
Só pra te deixar afogado em culpa
Tem dia em que a gente acorda com gosto de passado e quer quebrar o mundo.
Achei que todos os porcarias deveriam ir para um paredão. Levando pedradas, socos, tapas ou umas expressões de desprezo.
Da onde vem tudo isso?!?!!?!?!?!?!!??!?!?!?!
“Te respondo ou com uma pergunta ou com uma mentira. De qualquer jeito, terá a verdade”
Se tão descartável é…que importa saber.


