Arquivo para Junho, 2009

Soluções drásticas são as melhores. Os dedos tinham outra força, tanto que nem os ossos das costelas resistiram à entrada de toda a mão direita dentro do peito. Com algum esforço, “desrosqueou” o orgão e puxou para frente. Andou poucos metros até colocá-lo na mesa, ainda pulsando. No caminho até lá, as gotas vermelhas pareciam algo como plantação de pimenta, flores psicodélicas, testes de oftamologista. Arregalou os olhos e pediu a atenção. “Taí”. Voltou ao lugar de origem cada vez mais branca e desapaixonada por nenhum ou ninguém.

Ninguém nunca tinha lhe oferecido tal presente. Sem fazer desfeita, guardou-o na estante. Passaram horas, dias, um ano e o pó se acumulou na peça. Talvez fosse hora de devolver. Tavez não aceitasse devoluções. Talvez fosse melhor simplesmente jogá-lo no lixo.

Cada vez mais branca. Segura a bolsa, as medalhas e não ouve nada dentro do peito. Só eco.

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Sopão de frango.
Com essa língua, pedi: “não volta nunca mais”

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a última casquinha das três cicatrizes da cirurgia acabou de cair. Já tenho cinco marcas de guerra.

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CAT POWER – 18 DIAS

paguei cem reais pra sofrer sentada assistindo ao show da mulher mais linda que eu já vi um mês antes do meu aniversário no inverno uma boa ideia.

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São todos fantasmas.
O café (lotado de pó solto de um coador furado) só desce quente, mas sem sabor nem desperta o corpo, nem estimula a mente. Sem pão, sem manteira. Bolachas se desfazem como hóstias com algum sabor que não importa que não chegou das papilas aos neurônios, sinapses…ah, cabeça. Essa vida de ON/OFF, luzes azuis, verdes, uma tela, OK, OK, OK. Encolhida entre cama e móvel, um pedaço de sol, hoje escancarado num céu sem nuvens, num brilho sem calor (sem nenhum calor). A razão besta de cachorros. Rabos, chorinhos, pisões para existir (e por isso só, existem). Dos banhos de água muito quente, da pele ressecada, oleosa, adolescente. Cicatrizes que perdem as cascas. Cabelos que perdem a liberdade molhados presos. Encapotado corpo em regata, camisa, casaco, calça, meia. Frio. Vergonha. O não bonito. O não padrão. A embalagem de um lixo. (sente mal). Comer sem fome, faca sem corte, suco sem gosto, tempo sem graça. Tchau. Tchau. Pequenas disputas para ver quem consegue desenrolar o fone primeiro, entrar antes no ônibus, conseguir lugar. Salta. Um cumprimento dos fantasmas. Crachá, catraca, escada, porta, cadeira, café, café, café. Risadas sem motivo e sem intenção (infelizmente). Notícias do lado de lá. As bases podres do novo projeto. Automáticos. OK, OK, OK. Dois fantasmas. Corrida. Sem guerras na volta. Novelas e dramas contados em silêncio na trilha dos fones. Casa. Silêncio. Condimentos, enlatados. Um dia. Só um. Mais um.

(a falta de um ovário não fez a menor diferença para que todo mês eu me sinta totalmente medíocre)

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Comeoração

“But in my room
Wish you were dead”

(Dead Kennedys – “Too Drunk To Fuck”)

untitled

Porque é ótimo lembrar…

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ok. é de longe o clipe mais triste que eu já vi.

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It’s All Over Now, Baby Blue

You must leave now, take what you need, you think will last.
But whatever you wish to keep, you better grab it fast.
Yonder stands your orphan with his gun,
Crying like a fire in the sun.
Look out the saints are comin’ through
And it’s all over now, Baby Blue.

The highway is for gamblers, better use your sense.
Take what you have gathered from coincidence.
The empty-handed painter from your streets
Is drawing crazy patterns on your sheets.
This sky, too, is folding under you
And it’s all over now, Baby Blue.

All your seasick sailors, they are rowing home.
All your reindeer armies, are all going home.
The lover who just walked out your door
Has taken all his blankets from the floor.
The carpet, too, is moving under you
And it’s all over now, Baby Blue.

Leave your stepping stones behind, something calls for you.
Forget the dead you’ve left, they will not follow you.
The vagabond who’s rapping at your door
Is standing in the clothes that you once wore.
Strike another match, go start anew
And it’s all over now, Baby Blue.

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zero

amor1

Se não foi na concepção, que seja pelo menos durante a vida e na morte, claro.

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perfeição

um misto de Michel Melamed com Javier Bardem numa trama de Kundera ao som de The Doors
“somos todas princesas”, Diário da Princesa 2.
num dia vazio, sentimento de lixo por um ser mais que imperfeito, defeituoso, virtuoso e distante.

(por que diabos eu acordei assim?)

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Velha aos 22

“O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis”

A gente sabe que tá envelhecendo quando cita Fernando Pessoa.

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blue as can be

Uma capacidade imensa de me deixar triste, até quando só aparece de visita. O problema é que em sonho não tem vassoura para colocar atrás da porta

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histórias de dicionário 2

desistir
Datação
sXV cf. IVPM

Acepções
■ verbo
transitivo indireto e intransitivo
1 não prosseguir em um intento, abrir mão voluntariamente de (algo); abster-se, abdicar, renunciar
Ex.: <d. de uma luta, de suas idéias> <d. de viajar, de trabalhar> <d. em favor de alguém> <desistimos, essa tarefa está além de nossas forças><desistiu de saltar a cada sinal de vida><desistiu de entregar a vida na mão de alguém que não sabe cuidar dela><desistiu de fantasiar perdões e brigas><desistiu de imaginar o que poderia ter sido e não foi><desistiu de lembrar do que foi e não deveria ter sido>
transitivo indireto
2 deixar de estar ligado a (alguém); renunciar
Ex.: desistiu da amada <desistiu do mal-amado>

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MJ

Não curti o som do Jackson 5, não era nascida no “Thriller”, mas eu era fã dele sim. Polêmicas a parte, é indiscutível o impacto que ele teve na música, em duas décadas e nesta quinta-feira. Neverland, pedofilia, embranquecimento…acho que a maioria vai lembrar dele pelas músicas que estão na lista de trilha sonora na vida de TODOS. A minha é essa daqui, da fase em que videoclipes ocupavam tardes inteiras…

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visão não-romântica de cantadas

“Um êxito em três tentativas. Três tentativas em três dias.”
“Se você qualificar as abordagens, o cálculo muda, né?”
“Hum…é. muda”
“Primeira, 0% de aproveitamento. Na segunda, uns 30%. A de hoje, uns 60%”
“De 30 em 30, amanhã vc tem 90%..hahahaha”
“Velho, isso dá uma preguiça…”
“Não, não. Pelo bem do experimento, vai. Quero criar uma fórmula de quanto tempo demora..hahaha”
“Pera. Daí entra fator idade, estado civil, personalidade…”
“E a variedade é imensa, né colega?”
“Muita variedade e pouco critério”
“Não ganho nem nota, nem salário pra isso. Danem-se os critérios”

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selo kit

zooey

Peitos da Érika Mader, vitória dos EUA na Copa das Confederações, festas juninas no meio do expediente…
…a minha parte em dinheiro, por favor.

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tava decepcionada que ninguém tinha aproveitado a crise do senado para fazer piadas sujas…tá lá! na nossa cara! uma piada prontinha! Daí eu acordo e vejo o nick de Jair no emeesseenemessenger (saudosa de Lu :():

“Vamos fazer um ato secreto hoje?”

Es-pe-ta-cu-lar.

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334 casos de gripe suína.
1 mártir no Irã.
663 atos secretos no Senado.
9 Nuggets no forno.
1 jornalista faminta.
15 músicas dos Los Hermanos no player.

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Num mundo sem bina (por que Bina?…tá, sem “identificador de chamadas”), eu ligaria nos celulares da pessoas todas. Xingaria conhecidos (“puto”, “corno”, “vaca”, “babaca”, “idiota”. Cada qual com seu destinatário). Declamaria poesias e canções para desconhecidos. E, no final, quando conhecidos e desconhecidos me maltratassem por resposta ou mal-entendido, eu cantaria qualquer sucesso brega para comovê-los ou demovê-los ou corrompe-los.

torce para um dia seu telefone não tocar comigo do outro lado da linha. aos berros, direi as verdades todas e depois colocaria “i´m a fool to love you” perto do bocal.

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um vício chamado tetra

Acabou o SPFW.
A primeira coisa que eu lembrei?

Isso aqui.
.
.
.

Obrigada, caro colega de trabalho. Muito o-bri-ga-da

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caco22062009

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um segredo

(…)
(…)
(…)

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(Caetano Veloso – “Marcianita”)

Os bons garotos permanecem tão longe, mas tão distantes, que nem os sonhos podem habitar. Mudinhos, mudinhos, mudinhos e miudinhos. Bons garotos aqueles que te penduram pelas mãos. Bons garotos os que lavam atrás do pescoço. Se bem que…os joelhos pedem outros.

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beijos barulhentos

Elas chiavam. Gay pride, girls pride. O que fosse. Eu só implorava num olhar de canto que parassem de chiar. Que se beijem, transem, casem, tenham filhos. Apoio, assino embaixo. Mas não chiem no cinema.

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o babaca letrado

corre suas coxas gordas pelas escadas do metrô. Corre mesmo e vê se tropeça. Naquela banha de guri recém saído da adolescência, o babaca letrado corre pela multidão e empunha um livro grosso comprado na Livraria Cultura. Cheira mal. Sobras de carne e pele transbordam na roupa estilo ’surf-wear’ que a mamãe tirou de algum magazine baratinho e sujo. Cabelo ensebado e lotado de pontos brancos que caem na camiseta preta que sua sobre o vidro e embaça a visão do próximo infeliz. O babaca letrado lê Hegel e não entende, lê Hegel e coça o saco, lê Hegel e atropela os cansados velhos, moços, loiros, lésbicos seres da escada. O babaca letrado cheira mal e deixa o óculos cair nos trilhos do metrô. Ninguém salta para pegar. Por um instante, o tal cruza a linha amarela e lança um olhar sobre o ferro menos de um metro abaixo de seus pés. Não se digna a dar o próximo passo. Espera o trem, desvia de todos da suposta fila, senta, abre o livro e goza sua superioridade num reino de gorduchos sujos.

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a não-resenha

Arnaldo_Grace-Lagoa1_g

Arnaldo Baptista – Ah! Garota (Deixa Eu Gostar De Você)

É uma canção que fala de você
Que me reduz o traço que me arrebenta o aço
Eu passo, passo pelo corredor numa motocicleta
Marcando todo veludo vermelho do chão

Ah! garupa, deixa eu gostar de você
Se o momento já se foi
Eu ainda não acabei

Se me agrupo, deixa eu gostar de vocês
Eu tenho medo eu cuspo em tudo
Só não cuspo no chão e no violão

Ah garota, deixa essa estrada passar
Nossos elmos vasos comunicantes
Podem um dia se beijar

Sai chão, sai medo, vai giro vai
A velocidade é a sobremesa
Da noitada vulgar
De fazer amor na areia

Se me agrupo, deixa eu gostar de vocês
Eu tenho medo eu cuspo em tudo
Só não cuspo no chão e no violão

Vai garota, deixa essa estrada passar
Nossos elmos vasos comunicantes
Podem um dia se beijar

Sai chão, sai medo, vai giro vai
A velocidade é a sobremesa
Da noitada vulgar
De fazer amor na areia

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bansky100

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Diploma é um pedaço de papel. Bem caro, é verdade. Mas só um pedaço de papel.

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(Los Hermanos – “Paquetá”/”Morena”/”Primeiro Andar”)

Tirar pontos não dói. Mas todo o resto do mundo. É, esse diferente sempre é.
O doutor beija a mulher depois de tanto tempo de casado. Suspirinhos de encalhadas, operadas, pacientes nem tão pacientes.
Tirar os pontos não dói. Mas todo o resto dos atos. São, esses sempre radicais são.
Sem rumo na vida, pede dinheiro. Presente dos fracos de espírito.
Não leu nada, nem falou com ninguém. “Obama mata moscas”. E, quando menina, perseguia outras num sítio e as observava já duras na mesa maior da casa. Moscas mortas.

“Quanto vive uma mosca?

As moscas, principalmente as domésticas, nascem sempre no período da madrugada. A seu acasalamento e a colocação dos óvos ocorrem durante o dia e, após 24 horas de seu nascimento, estão morrendo.

É por essa razão que nunca vemos uma mosca dormindo. Elas simplesmente não vivem o suficiente para isso.”

Moscas, sim, vivem intensamente. Rondam humanos, bosta (como se diferentes fossem), açúcar e no final do dia se estatelam aos pés de qualquer lamparina, de qualquer dono do mundo, aos olhos de qualquer menina.

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(Mutantes – “Fuga NºII”)

Cabeça vazia, casa do diabo? (ruim de frases eu). Penso, penso, penso. Ele é tão samba de um quase chato de repetições. Bom, mas em doses controladas. Tipo caipirinha de abacaxi com saquê. Tipo Cataflan. Desenhinhos com discurso do Sarney ao fundo. (gagagagueiras…talvez por isso tenha lembrado. “Fo-fo-foi assim…”). Eu tava ca*** para o Irã, para o Sarney, para o fator previdenciário, tava ca*** e andando pro mundo. Ele é samba. Elas também. Todas. “Passou a raiva, a trixxxtezaaa e até a paixãoum…”, Diana da Confissões de Adolescente dizia (não! Foi aí que eu lembrei!). Me pergunte das novelas todas, que eu saberei te dizer em que pé estão. Não quero ignorância, mediocridade, pontos (SAIAM POOOOONTOS!!!), nem amigos desnaturados, nem dependentes, quero ficar só. Afinal, ele é samba e eu sou rock ´n ´roll, SHAROOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOON. O blog da gordinha é lindo de tanto sentido fútil que tem.

Ele é samba. e sempre foi.
Eu sempre fui outros.

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(Ida Maria – “I Like You So Much Better When You´re Naked”)

Eu curto fotos. Não sei tirar nada muito bom, nada lá muito profissional, nada que justifique um ano de aulas com o precário material da PUC. Mas eu curto. Muito. Amo.

Pausa para procurar o Flickr daquele bostinha. O bostinha parou de postar as fotos. E ele é bom…pelo menos nisso…

Quem pensa mesmo que uma imagem fala mais do que mil palavras (;))…vale a pena entrar no site da JPG e se inscrever, nem que seja pela besteira de um dia se sentir tentado a fazer boas fotos (um dia eu fiz. Foi para o trabalho da optativa no último semestre e a vaca da professora não devolveu. Ficou com as imagens, com as crônicas. Vaca). Melhor ir direto para a parte de histórias.

Resolução de qualquer outro dia:
-organizar meus álbuns de fotos de todos os anos
-não fugir das fotos
-arrumar um jeito decente de ser. de fotografar

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(The Ting Tings – “Be The One”)

“Marcel – é no verão que as coisas acontecem”. Se estamos no fim do outono e quase no in(v/f)erno, essa frase não faz o menor sentido. Então nada tá acontecendo. Nada?

Nada.

Deus sabe o quanto eu curto ficar em casa, escondida nos cobertores, mas esse repouso forçado me põe maluca. Tenho saudade de ônibus, de tomar banho e me vestir para atravessar o portão. Não me imagino sem o trabalho mais. Sem o cinema, sem a caminhada. “Sorte que tá frio”. Uh, puta sorte.

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(Mando Diao – “Give Me Fire”, mas vale a pena ouvir o álbum todo)

A gente tem vontade de dançar justamente quando não pode. O ponto do umbigo quebra o ritmo, o da direita impede o rebolado e o da esquerda segura o balanço. Mesmo quando tudo o que se houve é um rock de agitar a cabeça e as mãos. “Tirar ponto dói?” Ela disse que não, mas eu ainda duvido.

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sobre tudo

Madruguei no hospital. Assustada com burocracia de internação (assina termos milhares). Caindo de sono num pós-Fashion Rio (muito muito muito o que falar sobre isso. lembrar*). Espera, enfermeiras. (os próximos itens em lista por falta de meória, paciência e excesso de substâncias no corpo):
-coloquei o avental do lado contrário (nem fica tanto de bunda de fora)
-não entrar em cirurgia de cabelo molhado. lembrar*
-pelada, no frio, secando cabelo com secador sem nenhuma potência
-do lado uma mulher que opera de varizes. do outro, um cara. Já grogue, parecia.
-”isso vai te dar um pouco de sono”
-sala desconhecida. diálogo com médico. injeção nas costas. dor e….branco total
-”É preciso saber viver”, dos Titãs, no pós operatório ou eu muito louca de anestesia. Nunca vou saber.
-volta para o quarto. salto da maca para a cama.
-uns minutos, horas, dias, séculos de sono.
-comida que se misturou a anestesia que voltou
-sono, sono, sono.
-”‘Melhor É Impossível” na TV
-Pior noite de sono ever.
-Dor imensa nos ombros, coceira imensa no rosto. Gás carbônico e morfina, dizem.
-Banho com enfermeira frenética. Odeio que me sequem e não é tão difícil colocar a roupa sozinha. Mas é o trabalho da moça e eu tava ainda mole.
-Paraíso até Moema. Buracos. Muitos.
-Casa. sono, sono, sono.

Balanço. Entrei inteira, de cabelos molhados, de calça, aquecida e fazendo graça. Saí sem um ovário, sem um mioma de 12cm de diâmetro, de cabelos sujos, de vestido, com frio e mole.

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pausa

parem a orquestra que amanhã é dia de bundalelê no hospital :)
Vou colar nas portas dos quartos :

“Não tive filhos não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria.”

Sucesso, sucesso

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resenha. (+ ou -)

caramel1

Não, eu não coloco fotos de divulgação. O motivo é simples. O cartaz não faz ninguém querer assistir a esse filme. É a mulher de costas…e de bunda, já basta o ‘everyday’.

O que pode fazer eu, uns 15 casais de velhinhos, três mulheres (mãe, tia e filha) e dois casais de modernets-cinéfilos irmos ao Cinesesc numa tarde de sábado? Um trailler e uma trilha sonora. Não respondo pelos outros, mas saindo de “A Janela”, corri para casa baixar a trilha de “Caramelo” (fácil. Só buscar Khaled Mouzanar no 4 shared). Me apaixonei. Contei os dias para poder casar as 15 faixas da trilha com as imagens do filme.

Não me decepcionei. Como em todas as boas sessões de cinema, saí com o coração na mão. As apaixonadas, as de segredo, as falseadas, as desistentes, as malucas. “Filme de mulher”, me disseram. Certo. Eu não sou grande fã das mulheres. Muito jogo, muita cena, muito drama, muito sangue perdido…loucas. todas. de um jeito ou de outro. As que não são loucas, são más. Isso quando não se é louca e má. Enfim. Mas nesse filme, o lado bom desses seres escrotos (paradoxal? hum. gosto).

A protagonista. Amante apaixonada de um homem casado. Idolatrada pelo guarda da rua (sei lá o que me deu com caras de nariz grande). Uma lésbica que não sabe que é lésbica. Uma noiva que não é mais virgem. Uma atriz na menopausa que faz tudo para parecer jovem. Uma senhora que cuida da irmã louca, conhece um senhor e desiste de (olha como funciona a mente suja das pessoas. Eu ia colocar “pegá-lo”)…desiste dele.

Risadas e choros (da ala TPM, claro). Para os meninos não vai fazer muito sentido ver esse filme

Não me venha falar
Na malícia de toda mulher
Cada um sabe a dor
E a delícia
De ser o que é…

Não me olhe
Como se a polícia
Andasse atrás de mim
Cale a bôca
E não cale na bôca
Notícia ruim…

Você sabe explicar
Você sabe
Entender tudo bem
Você está
Você é
Você faz
Você quer
Você tem…

Você diz a verdade
A verdade é o seu dom
De iludir
Como pode querer
Que a mulher
Vá viver sem mentir…

(eu, definitivamente, desisti das resenhas…)

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te faz um favor?

Entra nesse site e clica no “Shoe Box”. Vê o vídeo todo. Me diz o que te lembra o que te causa e que parte te fez pensar.

ciadafoto

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Tô com uma saudade imensa de escrever os longos textos de mistérios explícitos. Xingando muito quem me fe(a)z chorar (ah, esses raros). A inspiração escorreu, dia-a-dia, numa ‘oficina’ de calor e café ruim. Mas que vá mesmo embora esse tipo de gás para os dedos começarem a descer ao teclado…com muito barulho, gota salgada no rosto, ou cabelo mal preso num elástico já…..bem, já sem elasticidade (afe).

Já treino como aquelas moças que esperavam durante as guerras. Como a velha do programa do Faustão (há), 66 anos depois…reencontra e a peça faz o favor de morrer. Não, que ele não morra. Que nenhum deles morra. Nunca. Mas que não vivam ad eternum nas letras, nas músicas.

Vou rezar (vou, vou sim). Todas as noites. Para que a sanidade dentro do ônibus e das salas de cinema. Que ela permaneça e não fuja justamente quando eu percebo que todo mundo tem abraço. Eu nego. Viro. Escondo. Me esquivo. Acho que não é tão absurdo. É? É.

Vou passar mais dias assim. Criando cenas futuras e me arrependendo das passadas. Colocando a ponta do nariz nas nuvens e adivinhando em cada um que passa um pensamento para fugir dos outros tão eternos. Se ninguém notar, tanto melhor. Declamar para dentro também é um jeito de falar a verdade. “Ainda. E muito”.

Velhos, crianças e interativos. Álbum de fotos, sombra colorida, camisetas e um tênis. (Pera que subiu a janelinha do MSN. Ele tem um puta sorriso. Ah, burra!). Cinema, teatro, shows.

Minha casa de tijolinhos.

Te sinta todo dia, como se eu tivesse feito exatamente o que desenhei na cabeça. Disse tchau, sorri, chamei de volta e disse que tudo tá legal. Tudo tá ótimo. Mentia. De nada adianta subir em um muro e não saber andar sobre ele ou descer de lá.

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