Arquivo para Julho, 2009
reflections of a skyline
And I wanna play hide and seek, give you my clothes, tell you I love your shoes, sit on the steps when you take a bath, and massage your neck, and kiss your face, and hold your hand and go for a walk. Not mind when you eat my food, and meet you at Rudy’s and talk about the day. Talk about your day and laugh at your paranoia. Give you tapes you don’t listen to, watch great films… watch terrible films. And tell you about the TV program I saw the night before, and not laugh at your jokes. Want you in the morning, but let you sleep for awhile. Tell you how much I love your eyes, your lips, your neck. Sit on the steps smoking ’til your neighbors come home. Sit on the steps smoking ’til you come home. And worry when you’re late, and be amazed when you’re early. I’d give you sunflowers and go to your party and dance. Be sorry when I’m wrong and happy when you forgive me. Look at your photo’s and wish I’d known you forever. Hear your voice in my ear, feel your skin on my skin. And get scared when you’re angry. I tell you you’re gorgeous. And hug you when you’re anxious and hold you when you’re hurt and want you when I smell you and offend you when I touch you and whimper when I’m next to you, and whimper when I’m not. Smother you in the night and get cold when you take the blanket and hot when you don’t. Melt when you smile, dissolve when you laugh. But not understand how you think I’m rejecting you when I’m not rejecting you and wonder how you could think I’d ever reject you. And wonder who you are. But I accept you anyway. And tell you about the tree angel and enchanted forest boy who flew across the ocean because he loved you. I’d buy you presents you don’t want and take them away again and ask you to marry me and you say no again but keep on asking because though you think I don’t mean it but I always have from the first time I asked you. I wander the city thinking, but I’m empty without you, but I want what you want and think I’m losing myself.
But I’ll tell you the worst me and try and give you the best of me because you don’t deserve any less. Answer your questions when I’d rather not. And tell you the truth when I really don’t want to. And try to be honest because I knew you prefer it. And think it’s all over but hang on for just ten more minutes before you throw me out of your life, forget who I am. And let me try and get closer you.
… And somehow communicate some of the over-whelming, undying, overpowering, unconditional, all-encompassing, heart-enriching, mind-expanding, ongoing, never-ending love I have for you.
“La publicación de los resultados se hará próximamente, previsiblemente a partir de la segunda quincena del mes de agosto, dentro del plazo de 3 meses desde la realización de las pruebas.”
Vai à merda
gota a gota
se eu falar que acho ele chato, vou estar mentindo
*
eu escutei meu nome, sabe. sou eu atrás do portão do colégio, escutando um “juliana” que não era o meu.sou eu desabando na perua escolar. sou eu atrás de outro portão, desabando.
*
“Ágata e a Tempestade” foi o filme que eu assisti no dia em que eu passei no vestibular. Na história, a mulher tinha um poder sobrenatural de estourar lâmpadas quando sentia fortes emoções. Queimaram as lâmpadas que ficam sobre nossas cabeças na redação. Se esse poder sobrenatural existe, pode ter sido de mim. Numa vontade louca, porém controlada, de rodar a baiana.
*
como sou educada, fecho a cara e a boca.
*
sou eu lembrando do trava-língua “Jabuticabeira pequenina”, lido no Clube do Pastor Alemão. sou eu falando da família do meu pai. sou eu fingindo que tá tudo bem. que ele não é um merda. que os dois…
*
se eu falar que acho ele um merda, estarei mentindo ontem, mas não hoje.
*
voltei a ler a metáfora da “economia em W”. METÁFORAS SÃO SEMPRE MUITO IDIOTAS.
*
minha vida tá em W. Sobe, desce, sobe, desce. Preferia dormir no trajeto.
*
se eu disser que ele escreve mal, estarei mentindo. Eles são sempre muito melhores que eu.
*
tava mesmo querendo dormir e acordar no Japão.
Eu queria ver no escuro do mundo
Onde está tudo o que você quer
Pra me transformar no que te agrada
No que me faça ver
Quais são as cores e as coisas
Pra te prender?
Eu tive um sonho ruim e acordei chorando
Por isso eu te liguei
Será que você ainda pensa em mim?
Será que você ainda pensa?
Às vezes te odeio por quase um segundo
Depois te amo mais
Teus pêlos, teu gosto, teu rosto, tudo
Que não me deixa em paz
free hugs
A: Pera, deixa eu ver
B: Hum :)
A: Que você tá fazendo?
B: Abraço, ué
psc
tava afim de começar um post com “psc” há tempos…lia o bendito em todos os emails da empresa e não sabia bem o que era. Num busca no Google (pai de todo o conhecimento.ui), finalmente me toquei que era “para seu conhecimento”..assim como “asap” é “as soon as possible”…
Para tornar esse post ainda mais chato (ah sim!), manifesto aqui uma questão existencial-linguística. Explico: na tarde de hoje (vírgula) me foi perguntado se “Há 15 anos, o País perdia Mussum” tinha mesmo essa vírgula. Eu, no alto de minha arrogância, disse:
- oh! mas é claro!
meu coleguinha de homes disse:
-oh! não..acho que não
minha ex-chefe de redação disse:
-oh! pode colocar, mas não é regra.
Encafifei, nobres. Fiquei boa parte da noite matutando uma explicação plausível para a pergunta. Lá pelas tantas, assistindo à ”Fazenda”, um insight! “Adjunto Adverbial”! Das profundezas da memória, lá onde se escondia Hu Xixi (a chinesa que estudou comigo no 3º colegial), a explicação!
Não satisfeita, tirei o pó de minha gramática (Farcco & Moura). Consta:
“Emprega-se a vírgula para (…) separar o adjunto adverbial antecipado. Observação: Nos textos modernos, é frequente a omissão dessa vírgula”
Recordemos, nobre leitor (como se eu tivesse uma massa ha-ha-ha), que “há 15 anos” é um adjunto adverbial expresso por uma locução adverbial de tempo.
Eu, como parnasiana que sou, ousando somente ao colocar um “Cacilds Forevis” na home do portal, NÃO OMITIREI JAMAIS TAL VÍRGULA!
Concluímos, portanto, que nenhum dos três personagens indagados sobre a pontual questão estavam errados. Saímos todos contentes, menos eu. “Por que?”, você me pergunta. Porque eu gosto de estar certa todo o tempo. Oh bruaca que sou..huhuhuhuhuh
(Queria que meu chefe me lesse agora :( )
(“Train Song” – Feist Ben Gibbard)
terceira noite seguida, meu caro.
Agora não tem qualquer explicação mesmo. Até já desisti de picotar os papéis escondidos nas caixinhas de música espalhadas pela casa. Acabo por me conformar que foi mesmo um ato eterno esse de puxar a boca para o canto esquerdo, desde a primeira vez.
terceira noite seguida de enredo de sonho igual, meu caro.
dessa vez, seu dedo polegar era surpreendente fino e o relógio do computador marcava 10:15. eu recostava a cabeça numa coisa não igual a das outras vezes. era uma coisa quase fraternal
terceira noite e não consigo acordar para te explusar a pontapés desse mundo meu.
não parece mais tão sem sentido, ironicamente.
terceira noite e amanhã conto sobre a quarta consecutiva, porque eu sei que você invadiu. e eu não faço a menor questão (no fundo não tão fundo) de te atirar porta a fora.
chuva dia 4
a cachorra não sai há quatro dias. dá pra ver nos olhinhos a decepção. enfiada num cobertor vermelho (dela) sobre um cobertor vermelho (meu), não existe solução para essa tristeza. chove e ela é baixinha, patas curtas, senhora de 12 anos. olha para o armário branco por horas sem saber o que fazer para que a chuva passe. o ápice de seus dias é latir para o vira-lata da casa da esquina. um serzinho sem ambições ou grandes arroubos…ela só quer que pare de chover para cheirar a sarjeta suja. tenho dó.
about mulherzinhas
Eu gostei da música. Não sei se é por influência dos nobres colegas de trabalho (afinal a Pitty tem mesmo peitos lindos!)…o fato é q eu gostei e estou caga….tô me lixando pro bom gosto. :)
sobre o amor.
(pensei em colocar reticências depois de “amor”, mas o espírito é sempre muito mais seco, muito mais de ponto final)
Tirei o fim de semana para recuperar. Tolos os que pensam que o amor precisa de um objeto. Ele só precisa de alguém, num sábado gelado, chuva, transporte público e uma semana extremamente confusa mas positiva ou frustrante. depende.
Para começar, uma exposição das mal-amadas. Sophie Calle no SESC Pompéia (melhor não colocar o release, ocuparia muito espaço. melhor linkar direto). Já disse aqui sobre os emails de desamor, então a coisa toda da artista francesa me tocou fundo. Tenho um bom histórico de mensagens eletrônicas regadas a “amor” (pelo menos era o q parecia…não…na maioria das vezes não), cansaço, frustração, tristeza, esperança. Fiquei pensando, pensando…qual seria a minha leitura da carta do puto que deu o fora em Sophie. Se eu fosse corajosa, apareceria na porta da casa do sujeito, de madrugada. Alugaria uma carro de som e ficaria um bom tempo a discutir ponto a ponto do texto para ele, para os vizinhos, para o mundo. Depois sairia e beijaria outro cara (tirando a parte do carro de som…é bem o roteiro que tem seguido a vida).
Saindo de lá:
Não lembro se já disse isso por aqui, mas nunca fui convidada para uma festa de 15 anos. Na época, estava num colégio de freiras, já sem contato com as pessoas do colégio anterior (passei por 4) com pessoas que eu detestava (inclusive eu), perdida. Então minha intimidade com grandes eventos, ritos de passagem…é mínima. Uma hora isso precisa mudar. Mas não agora, não no próximo final de semana. Eu fico péssima por quem se magoa por aí, mas o meu maior pecado é ser mesmo muito egoísta. Até quando tenho certeza de que hoje cruzei com a felicidade de quem sei estar triste. Bah, não precisam entender….é que as pessoas têm um talento enorme para escolher a infelicidade. esquece.
Passo por um lugar onde se ensina dança de salão. Casais rodopiam. penso que na carta (a linkada..o email de desamor) meu medo era terminar num lugar desses de mãos dadas, mornas…olhando para o espelho, sendo conduzida para onde meus pés não querem ir.
Antes de lá:
Sim, sim. Tinha baixado “Mensagem de Amor”, do Lucas Santana. Tinha essa música perdida em algum CD, mas me deu tanta vontade de ouví-la de novo:
“Os livros na estante já não tem mais tanta importância/ Do muito que li, do pouco que eu sei, nada me resta/ A não ser, a vontade de te encontrar/ O motivo eu já nem sei, nem que seja só para estar, ao seu lado,/ Só pra ler, no seu rosto/ Uma mensagem de Amor/ Uma mensagem de Amor/ A noite eu me deito, então escuto a mensagem no ar/ Vagando entre os astros, nada me move nem me faz parar/ A não ser, a vontade de te encontrar/ O motivo eu já nem sei, nem que seja só para estar ao seu lado,/ Só pra ler no seu rosto/ Uma mensagem de Amor”
Mais além de lá:
Finalmente assiti ao “Um Homem de Moral”. Encantada. Sambando, sambando, batucando…até que lembrei das três pessoas que eu conheço que mais gostam de samba no mundo. Volto a estourar vidros com as mãos. Mas e o amor do começo? Pneumotórax, de Manuel Bandeira :”A vida inteira que podia ter sido e que não foi”. Começo a achar que deu mesmo tudo certo nas más histórias….elas poderiam ter sido tão, mas tão, piores. Voltei a amar e sorrir, cantando até o metrô.
No metrô, um guri…dos 16…15…16…17….mas não 18 anos me olha insistentemente com um grupo de – o que eu imagino ser – metaleiros. era bem bonitinho. Deu muita vontade de sentar do lado dele e dizer que não ficasse menino a vida toda, porque enche o saco e tal….mas a abordagem dele veio antes (“quer ir no cinema com a gente”. olha, nem se eu tivesse a idade dele…tava sentindo que seria um Harry Potter pra baixo) e tudo o que eu fiz foi perguntar a idade dele, não esperar a resposta e sair andando. O menino precisava saber que um dia é preciso crescer, porque as moças daqui uns anos achariam aquele ar adolescente dele uma babaquice sem propósito.
Em casa. mãe me vê só, amigos me acham sumida, colegas me analisam louca. eu? eu relembrei que a tal palavra de quatro letras que um tal menino me dizia pelos idos maio/junho de 2007 não devia ser AMOR mesmo. rio sozinha. como pode ser tão bom ser/estar só com o som da sua própria voz?
você já me conheceu cansada. com os cabelos emaranhados em um palito de madeira. com olheiras roxas. com gastrite. você já me conheceu paranoica. com memória fraca e miolo mole. ferida de passado. descontrolada. você já me conheceu inteligente, hoje burra. feliz, triste. quente, seca. você já me conheceu bondosa. hoje me conheceu mentirosa, intolerante, covarde, analfabeta, ciumenta, invejosa, enjoada, implicante, mesquinha, teimosa, fresca, ridícula, sem graça, sem humor. você já viu todos os meus lados. eu mordi a sarjeta e você insiste em pisar na minha cabeça aos poucos. hoje você me conhece. e amanhã também.
tenho um universo pra te gritar para de me parar que não tem mais espaço para tanto desabafo dentro dessa muda voz me enveneno de confissões não são histórias bonitas são ratos baratas cobras e lagartos cada canto de pó e mofo que não areja mais a razão eu tenho que te gritar exatamente tudo o que se passa pasa pasó me arruina edifica enlouquece está sempre de língua em riste à minha têmpora por que tão fraco patético infantil irritante por que mesmo assim circula das veias sobe a espinha e estoura os tímpanos eu preciso te gritar e apertar teus braços me fazer entender mas é prudente calar fingir esquecer se berro e chuto é porque te quero bem e longe pra perto de mim eu preciso te dar dores de cabeça e sonhos toda noite
“pírulas, pírulas”. não vão adiantar, certo? qualquer cor que elas tenham, não vão me tirar dessa condição fervilhante de tensão extrema num eterno sono com o pescoço a ser quebrado (qualquer momento) por um passo em falso. seu.
num relógio sem ponteiros, as horas são mero detalhe deixado para trás. O que eu quero são números, estaísticas, resultados, a dobra de dentro dos meus cotovelos de encontro. aos seus.
“cavalos ficam loucos”. é o fim do mundo? Pior será quando não os reconhecermos como tal.
ato 1 em um milhão
Xica: abre a boca que umas palavras vêm por aí. Diretamente do âmago de sua insanidade: uma declaração de amor, xingamento, pedido de demissão, segredo.
Marquito: cala a boca que umas palavras vêm por aí.
feliz dia do amigo…
…passei o dia todo falando como era cafona esse tipo de comemoração. É como usar aquelas medalinhas da amizade quando você tem oito anos, a que vem na revista das Chiquititas (guilt!).
Mas sempre vai ter alguém pra te fazer mudar de ideia. No caso, as pessoas que estiveram do seu lado nos últimos quatro anos e que, sempre quando você encontra (as poucas vezes pós-formatura), te dão a impressão de que o melhor da vida ficou por lá. Afe.
E se acontecer de dar certo
E nossos dedos se encaixarem bem
E nossos pés dispensarem os traços
Que ensinam a dança
E rodarem tontos por todo o lugar
Onde a gente, de repente, pode se encontrar.
Por sorte, destino ou engano.
Vai que, de repente, eu te amo.
Vai que acontece eu chegar
E aparar seu corpo antes do chão
Ou, ao me ver, ainda no ar,
Você criar asas
Passar rasante assustando a platéia
E pela mão, de repente, por descuido ou surpresa.
Você me carregar pra qualquer canto
Vai que, de repente, eu te amo.
Pode ser do acaso brincar com a gente
E empurrar as paralelas das nossas vidas
Criando um ponto em comum
Vai que, perdido, eu embaralhe as frases.
E embaralhado em alguma delas você me ache
E transforme essa vida engasgada em um canto
Vai que, de repente, eu te amo.
o que não tem jeito, as bolinhas de gude dirão.
as ideias sairão numa poça de água na chuva (de inverno)
reticências…aqueles três pontos…viram exclamações sorriso
mas se nem a paz há em comum naquele quarteto de olhos,
outra mania a gente arruma para viver
um sopro de susto para cumprimentar
um tapinha no ombro
brincos de pérolas são a solução
mas perdem a graça diante do que mais simples
existe janela, palco, chão e portão
foi sem querer
cat.cat.cat.
Não, não é uma resenha. Já há muito tempo que eu não escrevo algo que preste (se é que eu escrevi algo assim na vida). Mas talvez seja uma resenha sim, partindo do princípio que esse tipo de texto não é nada mais do que uma reunião de opiniões infundadas, reflexões pessoais e disfarce para os monstros de cada um. A minha, em primeira pessoa.
Cheguei bem cedo ao lugar do show, sentei e roí todas as unhas das mãos (um dos horríveis hábitos). Avistei cinco colegas de faculdade e dois do trabalho. Não fui falar com ninguém. Já estava nada “interativa”, bem ao estilo das músicas que tocariam mais tarde. Na espera, uma Alfa FM tocando canções péssimas daquelas de sala de dentista. O público…bem…o público Cat Power é um nojo. Quanto mais eu conheço os indies, menos eu gosto. Continuo achando que são emos “adultos”. Metade queria ser Cat Power, a outra metade queria comê-la namora-la.
A organização desse tipo de show devia prever que tem gente que vai sozinha nesses shows, gente que não se sente nem um pouco confortável em dividir a mesa com outras pessoas…ainda mais quando são três casais irritantemente felizes. Aqui não é uma coisa só minha. Nas quatro mesas ao lado todas tinham uma garota sozinha fuzilando os seres que chegavam em duplas ou bandos. Pensei em chamar todas para uma mesa só, faz uma coisa meio…sofrimento coletivo. Esse era o espírito até então.
Continuou assim na primeira música. Linda e rouca, Chan Marshall sobe ao palco e canta “House of The Rising Sun”. Pensei: “pronto, já tô triste. Vai Cat, manda mais”. As gotinhas (da onde vieram?!?!?!?!) viraram êxtase a cada faixa. Em cada intervalo era um “ohn”, “ah”, “uh” e palmas. Lembrei da Su, uma das colegas de PUC que eu vi de longe por lá. Ela dança igualzinho a Chan. Um jeito de quem não dança para os outros, mas para algo ou alguém que nem se sabe estar observando. Um transe. Cat às vezes chamava o público para a briga, puxando os pés para trás como um touro.
Eu esperava mesmo pelo exorcismo de “The Greatest”, que veio de surpresa, sem introdução melancólica de piano. Cat fez daquela música – sabem os santos o quanto ela me arranha – um faixa quase leve, num tom quase otimista de que tudo o que ela tem representado virou uma esperança ou uma resignação de tudo o que foi triste (Cala a boca, Juliana). (Segurei, sim, as alças da camiseta. O mundo deu muitas voltas, mas parei/amos no mesmo ponto).
Antes do BIS, um intervalo gigantesco, com luzes roxas subindo, descendo, deixando todos tontos, impacientes. Já tínhamos conseguido tudo o que queríamos da Cat. Cat, vai embora. (Cat toma chá. Cat acende incenso. Cat acende vela.) Deixaram um som do teclado – irritante. Os Dirty Delta Blues merecem um show só deles…Cat ofusca. Vai embora, Cat.
Cat e banda voltam. Confesso que já estava cansada. As músicas pesam toneladas, como num ritual. Mas veio “The Moon” e voltamos a querer que Cat – linda, linda, linda – não saísse mais do palco, que ficasse lá eternamente cantando para gente, fazendo a trilha dos nossos filmes.
“Angelitos Negros” foi o espelho da primeira música. Melancolia da boa. (é…por que a gente é assim?). Desabamos todos nocauteados. Ao fim da música e do show, Chan distribui uns papéis (a setlist, imagino), uma flores e muitos sorrisos e abraços. Ela bem sabe o quanto costura a vida dessa gente que procura nas músicas justificativas e motes.
Não queria mais nada. Só um táxi, um café e minha casa. Para maquinar o quanto as outras músicas da Cat – agora sem o preconceito dos covers – podem ajudar no teatro nosso de cada dia. E como a gente finge ao som dela.

me escapou um gesto de boa vontade (amizade? blé. Não!), te chamei de uma sílaba só. Não acho (espero) que tenha ouvido. Foi muito sem querer, não quer dizer nada, não é nada do que você está pensando. Repito, trepito, quadriapito no meio de campo. Mandoprenderemandosoltar. Nada te escapa. Hoje, em “The Greatest”, vou segurar as alças da blusa.
(todos os textos estão saindo tão parecidos)
(Num atino em frente à sapateira, realizo que não tem mesmo outra saída senão a de inistir no erro. Gatos ronronam para manipular)
“Você se repete” (eu sei. Para fixar uma mentira, me fazer entender, me enganar)
“Eu vivo preso
A sua senha
Sou enganado”
Sempre no fio da navalha. Um dia essa farsa será pública, desconfio. Não acredito que disfarçamos tão bem aquele tanto de coisas. Poucas, mas drásticas. Cubro o rosto de todos os dedos, depois da chamada (primeira) que me fez arrepiar a nuca. Só não sabia identificar se era de medo ou de. Acho que era mesmo o segundo.
“Eu solto o ar
No fim do dia
Perdi a vida”
Depois do horário bater – quando já começo a expulsar – é que consigo focar sem raiva. Uma dose direto de qualquer veneno. Direto para o SNC. Com a diferença que não tenho que roubar nada de ninguém para ter um pouco mais. Com a semelhança de que resta pouco tempo, como aquele de qualquer trombadinha.
Voltaria para reescrever dois e-mails, várias mensagens, três blogs; para falar umas horas, dois dias.
Antes e depois.
explicações do que é
É como se me puxassem, sem nenhuma dor, a espinha pela nuca. como se ficasse lá, sem o “cabide”. uma massa de ossos quebrados ou inexistentes.
É como se pegassem todo e cada pensamento e gritassem pelos auto-falantes.
É como se esperasse uma frase acontecer junto, para que fôssemos trocandos…tipo “Se eu fosse você…”
É como se ficasse parado na metade do livro, durante loooongos meses, e continuasse sempre a mesma parte sem nunca entender nem pontos, nem vírgulas, exclamações e muito menos aspas.
É como veneno, uma droga. E um medo que chega da abstinência.
É como estar proibido de nadar, quando todas as outras crianças o fazem.
Separei uma foto velha para fazer um teste freudiano. O resultado sai num update em horas. Se eu tiver coragem, brecha e receptividade.
Update:
Teste falhou.
Cat Power – 3 dias
Ele finge que não ouve ou lembra. mas eu sei que sim.
imersão do endredon
perder as meias durante o sono é gesto vago perto do frio na casa. Encosto? mais meia hora e me enfio embaixo do chuveiro de água fervente. tudo anuncia um tremendo e monótono 0 X 0, mas são nesses dias que saem (deixam-se escapar) um pedido de desculpas, piadas boas, alguma compaixão de outro lado…igualmente sonolento, friorento, no automático.
(Los Hermanos – “Pois É”). porque eu tô intrigada, nostálgica e vazia.
teimosos anônimos
só por hoje, não tenho vontade de:
- ouvir “Sérgio Sampaio” no repeat
- quebrar o canto do café
- arranhar a cara dos colegas
- puxar pelo colarinho e dar um puta tapa
- puxar pelo colarinho e dar um puta beijo
:)
de lá do ônibus conversível (aquele do qual se pode conversar), cuspi meu chiclete já gasto (destruído de cafeína) na careca de um cara careca (substantivo e adjetivo). “moça séria” (menina não é moça, moça não é mulher. Moça é como jogo americano, a gente usa para fingir fineza). cobrador se faz de psicólogo e o banco se faz de divã (cadeira chacoalhante, paciente impaciente, consulta muda).
Três apertos para chegar ao volume máximo (SÉRGIO SAMPAIO VOLTA) e a certeza de que cada um tem o castigo que merece. Uns acumulam gordura, os outros capital, alguns os dois. Eu acumulo visões às 23h pensando com a escova verde enfiada na boca, cheia de pasta.
Quem me dera ter um gramado e uma noite menos fria, pra me estatelar olhando o céu e escrever poemas com o mesmo verso: “tudo isso é uma belíssima merda”.
“Uns tomam éter, outros cocaína.
Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria.
Tenho todos os motivos menos um de ser triste.
Mas o cálculo das probabilidades é uma pilhéria…”
Manuel…eu tomo pólvora.


