
(tenho uma preguiça imensa de bandas com nomes grandes. RONEI JORGE E OS LADRÕES DE BICICLETA. too much, não?)
Conheci a banda semana passada numa bagunça de links de “sons por ouvir”. Parei na terça e baixei o CD, ouvi faixa por faixa e curti muito. Na quarta, cheguei no trabalho e tinha o CD dos caras na mesa do Tiago. Conversamos um tanto sobre a banda…ele acha “muito MPB”, “parecido com Chico”…fico meio culpada ouvindo gente que entende mais de música que eu. Vou para o CD de novo, tento ouvir até achar o que a outra pessoa me falou (complexo de inferioridade musical?), mas raramente dá certo. Pô…não tem nada de Chico! Pô…não é MPB demais…Decidi ir ao show dos caras tirar a prova dos 9.
Não é uma banda que arrasta multidões (ainda). Na do CCSP, tinha uns muitos amigos dos integrantes, uns perdidos, umas miquinhas de circo (aquelas mariazinhas palheta de 16, 17 anos que tão doidas pra dar pra algum músico…groupies fora de seu tempo), eu, o Romulo Froés…
Começaram com a música mais legal do disco: “Vidinha”. Nas gravações, as letras do Ronei Jorge chamam muito a atenção. São diretas, algumas quase banais, sem muita firula. Ao vivo, a banda toma mais cor. O Edson Rosa (guitarra, vocais e teclado) tem aquelas coisas de virtuosismo, mas não faz feio.
(O setlist, pra variar, eu não sei e nem anotei)
Identifiquei a “Você sabe dessas coisas (Nega)” num ritmo extremamente estranho. Ponto beeeem negativo para a banda. A música é a primeira do CD e uma das mais legais. Fora que o Ronei disse que era uma homenagem para a mulher…ficou bem ruim. Outro minuto negro da apresentação foi “Tão forte”, que é, sem trocadilhos, fraca.
Mas vieram outras muito boas. A lentinha “A respeito do sono”, a caetaníssima (não Chico, Caetano) “Frascos, Comprimidos e Compressas”. “Tão sabida que eu nem sei”, que é super fraca no CD, fica muito boa ao vivo. Ronei Jorge fica espetacular ao vivo. A voz parece bem mais potente e a presença de palco (de palquinho no caso do CCSP) é até engraçada. Umas dancinhas psicodélicas, uns sorrisinhos de amizade, um excesso de agradecimentos, de homenagens.
“Tanto fez, tanto faz” tem uma coisinha meio reggae delicinha. (Sabe música para ouvir indo pra praia?). “O você dizendo” é um sambarock lindinho no CD e animadíssimo ao vivo. “Circule seu sangue”, uma das mais rock da banda, é impressionante ao vivo, cantada e tocada bem alto. “Quando a noite cair de velha, de besta…não saia se o sol sair”.
Lembra de “Circo”, do Penélope? Nem eu. Fazia tempo que eu não lembrava dessa banda. Nunca curti a voz fininha da Erika (lembra na música dos Raimundos?). Pois é. A letra é do Ronei. E é ótima! E ele cantando é completamente diferente da gravação do (do? da?….ah!) Penélope, graçasadeus. A inspiração foi um programa da Silvia Popovic…(e não é que ela sempre volta?). Uma menina que queria fugir para o circo e tal.
O ponto alto do show foi uma brincadeira com o axé baiano, com o Carnaval. Ao som de “Aquela dança” (ótima), Ronei brincou de trio elétrico. Sempre ótimo o som de ironia. Sem cansar, veio um cover de “Vou me afundar na lingerie”, do Arnaldo Baptista. Tava aí. Era mutantismo, psicodelia…era….tropicália! Não era Chico, pombas!
No bis (que nem teve aquela frescurinha de se esconder atrás do palco), “Noite”. À pedidos das macaquinhas de circo, “Noite”. Soturna, “Noite”.
* O Ronei me agradece o patrocínio da Petrobras no palco. Eles ficaram destacados no iG boa parte da quarta (ou quinta?). Alguém faz uma piada tipo “viva o pré-sal”. Não existe ironia ou brincadeira no contracheque. droga.