Arquivo para Outubro, 2009

(We could be laughing lovers)

Assim que eu parar de engasgar (nessa tosse filhadaputa sem explicação).

Caí no choro lendo uns textos, lembrando que falta faz uma fantasia nesses dias. Olhando nuvens sem saber o desenho, xingando o palhaço do ônibus. Tava com a mão no veneno e me avisaram pra soltar, mas ele vai, circula, volta, tenta….hum. Queria um delírio pra esquecer essa coisa toda.

Terça, quinta, sábado. Tá tudo tão real. Talvez não seja mesmo tão legal essa calmaria toda. Comecei a sentir falta dos tais calafrios. Sou uma megera num sábado de sol tossindo como um bode velho esperando a hora de ir pro trabalho (de novo)

p.s: me poupe

Não adianta nem me abandonar
Porque mistério sempre há de pintar por aí
Pessoas até muito mais vão lhe amar
Até muito mais difíceis que eu prá você
Que eu, que dois, que dez, que dez milhões, todos iguais
Até que nem tanto esotérico assim
Se eu sou algo incompreensível, meu Deus é mais
Mistério sempre há de pintar por aí
Não adianta nem me abandonar (não adianta não)
Nem ficar tão apaixonada, que nada
Que não sabe nadar
Que morre afogada por mim

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mordi meu dedo e bati as costas no encosto ele que não disse nada me vira e diz pra calar boca eu que falo demais mordo o dedo para não chorar ele que não se importa com o resto chutou a roda da cadeira e me fez entender que tudo tinha acabado eu que sempre me engano enconstei os cotovelos na mesa e sorri ele que nunca gostou do jeito que eu gritava puxou meus braços e me girou no ar eu que não tenho equilibrio dancei e comecei a cantar ele que não sabe dizer não aos pedidos chorados resolveu me dar o casaco e as mãos eu que sempre caio em tentação relevei e mordi o dedo às gargalhadas

sonhos estranhos com pessoas estranhas. milhares em uma.

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(Esqueci de postar isso no dia em que eu vi lá no Update or Die)
Dor de garganta é doença de criança.

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traz um sonho pra o dia ficar menos chato. e um mel pra minha garganta. e um presente.

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cadê o sol?

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pessoas agridoce

os dias têm passado tão rápido que nem deu tempo de ser mais gentil, mais paciente, mais contemplativa, menos verborrágica. eles todos são tão agridoce, meu deus. somos todos assim, parece. espero? não. as velhas cartas, quase rasgadas com o tempo, são as melhores leituras dos últimos dias. como pode ser tão velho e tão novo? no final das contas, ele é igualmente agridoce. como eu, como os outros. o que era tolerância, virou cumplicidade. o que era intrigante, virou desinteressante. passam tantos pelas janelas, pelos carros, pelas ruas, corredores. aos pés, no alto. mas o querer flana pelos mesmos cantos.

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me,disseram,que,é,bom,esfriar,a,cabeça,pra,não,acabar,esmigalhando,a,mesma.

me,disseram,que,eu,tava,manjada,nas,rodas,

que,meus,truques,e,farsas,já,não,enganavam,ninguém

me,disseram,que,são,todos,iguais,e,eu,não,acreditei

adoro.

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- meus colegas de faculdade estão tendo filhos. e agora não vão parar nunca mais.
- se devolver a caixinha ao seu dono e ele se emocionar com isso, ela vai passar a se imiscuir na vida dos outros para fazer o bem. Se não… azar
- o classe média tem olhos verdes e, ao que tudo indica, namorada
- turn off: humor babaca
- legal, tô ficando doente.
- legal, é terça

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na folha

lini27102009

pira27102009

(ouvindo Funeral, do Arcade Fire, e com o saco na Lua já às 11h30)

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nada te adoça. nem boa vontade.
gosto de café preto esse da fumaça
que sai da sua boca quando dorme

só pra registro:
é quase triste o quanto isso não vale nem meio segundo.

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“Mombojóvens… façam um show aqui no meu quintal de casa..comemoração do meu aniversário…pode ser ?.. estou escrevendo isso pq estou triste… eu vi uma tartaruga morta e chorei..”

(comentário no site do Mombojó, que fazia tempos que eu não ouvia)

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my popopopopopopopopopoker face…Lady GaGa em aplicação zen budista

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amei

“Querido Morrissey

Estou muito chateada porque você não está bem de saúde. Eu também já desmaiei no trabalho e sei o quanto isso é horrível. Tudo bem, não foi na frente de uma multidão. Foi durante uma entrevista com a Danuza Leão e o Xico Sá estava junto e me ajudou, mas mesmo assim foi horrível. Tudo rodava e tudo ficou preto.

Agora, o que realmente me preocupa, é que você andou remarcando shows. Morrissey! É sério! Você não pode ficar seriamente doente. Eu sou sua fã desde os 16 anos e inclusive virei vegetariana por sua causa. Eu juro! Depois de ouvir “Meat is Murder” nunca mais comi carne. Eu sei que ter fã é horrível. Mas não fique chateado com essa cartinha. Saiba, apenas, que nós, do 02 Neurônio, desejamos o seu pronto reestabelecimento.

Escuta, Morrissey! É sério! Você não pode ficar doente ao ponto de parar de fazer shows e produzir. Já estamos aqui, imaginando coisas, pensando que você pode morrer. Ta, sabemos que todo mundo vai morrer. Mas não queremos que você morra agora. Não antes de fazer mais discos. Não antes de fazer outros shows no Brasil. Morrissey. Eu preciso de você cantando que é o último dos playboys vivos, preciso de você pedindo pra ser beijado. Preciso ver você gritando na cara de fãs como eu que a gente nunca vai ser seu amigo.

Com o desejo de melhoras

Nina Lemos”

(via 02 Neurônio)

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nostalgia.com.br

bons tempos em que “seguir” era andar atrás de alguém
em que amigos te davam abraços e não testemonials
em que as janelas abriam e fechavam, mas não subiam e piscavam
em que cada pessoa tinha sua risada especial
em que a gente saboreava e não só comia
em que a gente entendia ironias
pelo tom de voz
pelas expressões dos rostos

das coisas que emanam luz
eu ainda prefiro o sol

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não resenha rjlb

ronei_jorge

(tenho uma preguiça imensa de bandas com nomes grandes. RONEI JORGE E OS LADRÕES DE BICICLETA. too much, não?)

Conheci a banda semana passada numa bagunça de links de “sons por ouvir”. Parei na terça e baixei o CD, ouvi faixa por faixa e curti muito. Na quarta, cheguei no trabalho e tinha o CD dos caras na mesa do Tiago. Conversamos um tanto sobre a banda…ele acha “muito MPB”, “parecido com Chico”…fico meio culpada ouvindo gente que entende mais de música que eu. Vou para o CD de novo, tento ouvir até achar o que a outra pessoa me falou (complexo de inferioridade musical?), mas raramente dá certo. Pô…não tem nada de Chico! Pô…não é MPB demais…Decidi ir ao show dos caras tirar a prova dos 9.

Não é uma banda que arrasta multidões (ainda). Na do CCSP, tinha uns muitos amigos dos integrantes, uns perdidos, umas miquinhas de circo (aquelas mariazinhas palheta de 16, 17 anos que tão doidas pra dar pra algum músico…groupies fora de seu tempo), eu, o Romulo Froés…

Começaram com a música mais legal do disco: “Vidinha”. Nas gravações, as letras do Ronei Jorge chamam muito a atenção. São diretas, algumas quase banais, sem muita firula. Ao vivo, a banda toma mais cor. O Edson Rosa (guitarra, vocais e teclado) tem aquelas coisas de virtuosismo, mas não faz feio.

(O setlist, pra variar, eu não sei e nem anotei)

Identifiquei a “Você sabe dessas coisas (Nega)” num ritmo extremamente estranho. Ponto beeeem negativo para a banda. A música é a primeira do CD e uma das mais legais. Fora que o Ronei disse que era uma homenagem para a mulher…ficou bem ruim. Outro minuto negro da apresentação foi “Tão forte”, que é, sem trocadilhos, fraca.

Mas vieram outras muito boas. A lentinha “A respeito do sono”, a caetaníssima (não Chico, Caetano) “Frascos, Comprimidos e Compressas”. “Tão sabida que eu nem sei”, que é super fraca no CD, fica muito boa ao vivo. Ronei Jorge fica espetacular ao vivo. A voz parece bem mais potente e a presença de palco (de palquinho no caso do CCSP) é até engraçada. Umas dancinhas psicodélicas, uns sorrisinhos de amizade, um excesso de agradecimentos, de homenagens.

“Tanto fez, tanto faz” tem uma coisinha meio reggae delicinha. (Sabe música para ouvir indo pra praia?). “O você dizendo” é um sambarock lindinho no CD e animadíssimo ao vivo. “Circule seu sangue”, uma das mais rock da banda, é impressionante ao vivo, cantada e tocada bem alto. “Quando a noite cair de velha, de besta…não saia se o sol sair”.

Lembra de “Circo”, do Penélope? Nem eu. Fazia tempo que eu não lembrava dessa banda. Nunca curti a voz fininha da Erika (lembra na música dos Raimundos?). Pois é. A letra é do Ronei. E é ótima! E ele cantando é completamente diferente da gravação do (do? da?….ah!) Penélope, graçasadeus. A inspiração foi um programa da Silvia Popovic…(e não é que ela sempre volta?). Uma menina que queria fugir para o circo e tal.

O ponto alto do show foi uma brincadeira com o axé baiano, com o Carnaval. Ao som de “Aquela dança” (ótima), Ronei brincou de trio elétrico. Sempre ótimo o som de ironia. Sem cansar, veio um cover de “Vou me afundar na lingerie”, do Arnaldo Baptista. Tava aí. Era mutantismo, psicodelia…era….tropicália! Não era Chico, pombas!

No bis (que nem teve aquela frescurinha de se esconder atrás do palco), “Noite”. À pedidos das macaquinhas de circo, “Noite”. Soturna, “Noite”.

* O Ronei me agradece o patrocínio da Petrobras no palco. Eles ficaram destacados no iG boa parte da quarta (ou quinta?). Alguém faz uma piada tipo “viva o pré-sal”. Não existe ironia ou brincadeira no contracheque. droga.

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de bem

(só conheci Piers Faccini ontem)

Você ouve o que ele diz?
O tempo de vida que você gastou não vai ser devolvido para viver de novo.
Então pra que essa cara feia?
A gente podia tá no sol agora. Com as pernas estendidas, tomando uma cerveja (antes do meio-dia? ah, é sábado)
Quanto tempo eu passei remoendo e você fugindo.
Quanto tempo ela passou chorando e ele lembrando.
Não importa mais. Não mesmo.
Rir das mesmas piadas é um jeito de dar e pedir perdão.
Estamos leves agora. Na cadeira de praia, no gramado, tomando uma limonada, falando da vida e rindo à toda.
Estamos de bem.

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Oitentista. É o que eu gosto. “Botam fogo na casa”. Uma graça da calma. Sem caos ou explosão. Nada pode pagar uma noite bem dormida. Nem o arrepio abaixo das costelas. Talvez o segredo todo esteja mesmo nos beijos nas orelhas. A gente tá precisando gargalhar, meu caro. Perder a vergonha.

(Ainda não achei a tal lista. mas de uns itens eu até lembro. basicamente, desde sempre, eu só quero algo que me sossegue, não que me acelere)

“Tá tudo bem?” sempre soa muito mais engraçado do que deveria nessas horas.

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Franz Ferdinand me dá um bom motivo para colocar casaquinho, comer direito, fazer exercício, cuidar da gastrite, me acalmar, olhar para os dois lados da rua, ficar atrás da marca amarela no Metrô, não abusar do McDonalds, tomar todas as vacinas que puder, não andar de helicóptero, não falar com estranhos e não tentar dirigir até o dia 23 de março do ano que vem.

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(acordei ouvindo isso)

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.sujeitos opacos me fazem querer desistir.

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(tem um sabiá se banhando na poça suja da Inhambu com a Juriti. Piam, cantam e são como pombos afinados. Da barriga amarela não se via nada além da água da chuva do dia anterior. Naquela madrugada, passarinho queria uma chuveirada para esfriar a cabeça. qual problema pode ter um sabiá? o de não cantar no horário dos homens. mas se nem mesmo esses sabem medir o tempo, ninguém pode mandar a hora de começar a piar)

nesses dias tão estranhos, o certo era largar as migalhas no chão para (não) perder o caminho.

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alguém ploamordedeus ME ACORDA

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me acorda

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quanto mais eu leio, mais me afundo num calendário.

tava ele lá. eu lá. todo mundo lá. e só a gente.

enfio minha cara num copo d´água pra seguir os olhos.

é. palavrão, coisa feia…mas é o que cabe: fodeu. pro bem ou pro mal. (ai, desculpa) fodeu. de verde e amarelo. fodeu.

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doce paulinho doce

paulinho

Timidamente gigante para essa humilde plateia, Paulinho. Como ele é doce. No falar de palavras leves, de voz mansa, num tom, num volume. Até para tirar o paletó, sentar na cadeira, afinar o violão, parece orquestrar os movimentos de tal forma que parece uma nuvem. Paulinho da Viola é só ele e só ele é Paulinho da Viola. Canta, conversa, se ri das que gritam lindo. Paulinho não é lindo, não é Chico. Paulinho é uma entidade. Não pelos cabelos brancos, não. Ele canta e puxa um coro. Toca para o povo batucar. Num frio de ar condicionado, que ele diz adorar, as cordas de nylon do violão “sobem”. No cavaco, um gigante tão correto, reto, certo que nada sai do previsto e, mesmo sem surpresas, arranca suspiros. Ele repete coração. Coração leviano, coração vulgar, coração imprudente. Ele repete desilusão (e quantas que a gente não tem, né Paulinho). E no fim é “amar”, “passou”…ou o “desejo de morte ou de dor”.

Inhos

Paulinho, neste domingo, dividiu o palco com Toquinho. Até agora me parece que foi privilégio de quem entrou num 18 de outubro. Especial. bossanovasambainfânciaamizadeparceirasinuca.

Paulinho e o Rio

Gentileza é o que falta para as terras nossas e de Paulinho. Viu o helicóptero de ontem? Viu os conflitos de hoje? Que todos ouçam mais Paulinho e segurem seus corações na boca. As armas, o dinheiro, o poder, o fim…tudo isso é secundário frente ao que há de doce na vida: música.

Paulinho na sala

Passei a divagar que queria ser muito amiga do Paulinho e até imaginei ele tocando no sofá marrom da sala. Tomando uma água e dando risada dessa juventude tensa, que ora fala demais, ora se esconde do mundo.

Escolas de samba

A minha era Imperatriz por causa do meu pai. Acho que posso escolher a que realmente comove um espírito. Missão para fevereiro.

Solução

A leveza.

Volta para casa

Em dez minutos: uma lembrança e uma esperança

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Viciei na Bluebell mesmo…e a letra é trés trés simpática…orrrna com o momento.

Chalala

Pode entrar, o que quer tomar
Tirou o casaco e jogou no chão
No rool de entrada, a luz tá cortada
Eu gosto de vinho, mas hoje não
Tira o sapato, deu comida pro gato
Ele não lava os pratos há dias, São 4 degraus, não repara o caos
Amanhã é sábado.

Se você duvidar, Eu faço questão
Se você tá com frio, Eu sou o verão
Se você é problema, Eu sou a solução
Se você é uma farsa, Eu sou uma versão
Se você é o caos, Eu sou confusão

Se você der a música, Eu faço o refrão.

Uh… Cha, la, la …

Não sei se eu falei, me amarro no rei
Adoro ler biografias, viciada em café
Cabelos em pé, tenho uma guitarra verde limão
Eu vou tocar no meio da rua
Eu quero acordar os vizinhos
Nós dois no sofá um pouco pra lá
Tó curiosíssima

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Show de quarta à noite. ÓDIO!

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Horário de verão, céu azul em manhã de plantão, as redes sociais apontando o dedo na minha carae uma mania chata de chamar as pessoas de “morangão”

(agora me imagina fazendo o universal gesto de “prêmio joinha”)

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não atiça

“Portanto, viva a liberdade e permita-se total desprendimento. No mundo do vinho não existem verdades absolutas, porque tudo é uma questão de percepções pessoais. “(Marcia Gombos, no Vinho em Notas)

Ontem tinha um vídeo aqui falando que as cobras cascavéis só mordem com um bom motivo. Assim funcionam as pessoas também. Não existe a menor necessidade em provocar, mas alguém sempre quer te tirar da letargia. Agora me diz: para quê? Me deixa cinza, pô! Essa sensação estranha de que o sangue subiu para o rosto todo. Depois eu perco a paciência, o rumo e caio em (des)graça.

Tô enjoada. Ou é o café ou é todo o resto.

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Sábado de plantão e eu feliz da vida. Uma puta chuvão na janela e eu besta de tudo.

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mas tava manso tanto que nem conseguia mais mexer. parado nos bilhetes, cartas e dos sopros. danou-se.
danou-se. o sangue resolveu correr. agitado nas palpitações e a timidez falseada. danou-se.
filmes em super 8, unhas cor-de-rosa, um desafio, um rasgo e alguém que aponta e ri. danou-se.
incoerente. danou-se.
enferrujados. danou-se.
danou-se.danou-se.da-nou-se.

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sintonia da insônia

sem a mínima vontade de dormir, as minhoquinhas da cabeça se manifestam:

* existe “excesso de personalidade”?
* gostar do Arctic Monkeys dos dois primeiros CDs e detestar o último é sinal de imaturidade?
* saia ou calça?
* quando um não quer, dois não brigam?
* vinhos
* preguiça de passado e de futuro. é hoje.

No dia seguinte, olheiras profundas que vão me acompanhar até o domingo, na frente do Paulinho da Viola. Quando vier “Sinal Fechado”.

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“te da la vida lo que te quita el sueño”

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ah, ando bem. Bastante bem. Hoje o tempo é fresco e as pessoas…têm sido todas muito…boas. O trabalho? Bom. muito bom. Era só isso mesmo. Não há novidade que dure para sempre, né. Mas a rotina não é de todo o mal. A gente precisa de um comparativo para sentir a boa vida das folgas e a vida boa de sempre. Uns juntam, outros descasam, uns entram milhões de vezes no MSN…só para alimentar mais a confusão…mas eu nem ligo tanto. Parece que o ritmo cardíaco assentou por esses tempos. Nenhum arrepio no umbigo registrado. Melhor assim, por enquanto.

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(extremamente desnecessárias as coincidências)

Às 16h e pouco (atente para isso), abro o boletim do B-Coolt e vem o seguinte texto:

“Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, de Michel Gondry [2004]
Algumas noites eu queria pegar a vida pela mão, e levá-la pra passear. Queria dela me embebedar e nela o mais fundo – que desse – me enfiar… Depois queria conseguir me separar e nunca nada, mas nada mesmo, do que se passou lembrar. Como num sonho, queria acordar num outro dia e nada encontrar, nenhuma flor ou sutiã. Queria não querer para não lembrar, e então não ter o que exigir, ou formalidade a respeitar. Ligar no dia seguinte pra que, meu amigo, eu trepei com vida! Queria esquecer para não correr o risco de pensar em repetir, de começar a precisar e ter que perdoar. Queria nunca saber, nem mesmo imaginar, o que está por vir se pela porta de sair ela entrar. Qual é o problema de ter a melhor noite de uma vida numa quarta-feira e não tentar repetir o feito? Felizes para sempre eu sei que não vai dar. E certas pessoas já me ensinaram que na prática é melhor viver do que ser feliz. P.S.: Desculpa não falar do Gondry. O cara é gênio, e este filme é foda – e é mais ou menos sobre tomar chuva e não se molhar. Vale o torrent na internet ou ticket da locadora, mesmo com essa dupla de protagonistas pra lá de esquisita. A trilha é ainda mais pancada. [peppe sifreddi]“

lembra do terremoto do 22 de abril?

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Minhas férias…

Lembra da redação que a gente fazia todo começo de ano? hahaha. Não… não vou fazer. Melhor separar em tópicos. Economiza tempo, paciência e dá menos tristeza do fim :(

Dias de férias: 30
… em São Paulo: 23
… em Minas: 7 (1, 2, 3, 4, 5, 6, 7)… o que é de Minas fica em Minas…nesses posts. o resto é SP.
- Andando no Parque pra não morrer cedo
- Enjoada de doce desde que voltei de Minas

Livros lidos: Meus homens e minhas mulheres do Mario Prata; A Terceira Mulher, do Gilles Lipovetsky, Quem É Capitu, vários autores

Filmes assistidos: “Os Normais 2″, “Anticristo”, “Up – Altas Aventuras”, “Quanto Dura o Amor?”, “A Mulher Invisível” + inúmeros na TV

Shows (aí sim): Beirut, Seu Olhar Gentil (Rômulo Froés, Rodrigo Campos e Bruno Morais), Ela Disse, Trio Mocotó e Thalma de FreitasCéuPequeno Cidadão

Exposições, museus, afins: SP Arte-Foto, Museu da Língua Portuguesa, Post-It Cities no CCSP, Ilustra Brasil, Masp, Pinacoteca e Estação Pinacoteca, Encontros de Fotografia da Fnac e Henri Cartier-Bresson.

Teatro: “A História de Muitos Amores” e “Rock N Roll”

Rolês: milhares pela Avenida Paulista, Praça Benedito Calixto, Sebo do Messias…São Paulo, São Paulo

Encontro amigos PUC: 1

Encontro amigos não-PUC: 1

Histórias de férias: muitas

Novas resoluções de vida: infinitas

Saudades: mãe, cães, amigos

Vontade de voltar a trabalhar:
- pelos meninos-amores-da-minha-vida: muitas
- pelo trampo em si: bastante
- pelo horário: pouca

Grana no banco: falida até fim do ano

Balanço de férias (as primeiras em 3 anos e meio): ah…100% :)

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proles

Não tenho irmãos, tampouco sobrinhos. Não tenho primos pequenos, nem afilhados. Não tenho crianças. Sempre falei bastante que não gostava delas. Foi da boca pra fora. Apesar de não ter pegado nenhum pequeno no colo até hoje, de não ter o semblante mais simpático do mundo, elas me perseguem. Na viagem a Minas, conheci um gurizinha que queria almoçar do meu lado. Conheci um batalhão de crianças dentro da Maria-Fumaça para Mariana. Em São Paulo, nas andanças pelas livrarias, dei um jeito de entrar na seção dos infantis. Ficar lá olhando aqueles pingos de ideia abrindo os livros é bastante bonito. Hoje cheguei no ápice dessa ideia toda: fui no show do “Pequeno Cidadão”, no Sesc Pinheiros, em pleno Dia das Crianças.

pequeno-cidadao

Para quem não conhece, “Pequeno Cidadão” é um projeto do Edgard Scandurra, do Arnaldo Antunes e suas respectivas filharadas de músicas infantis. E tão boas as músicas. Letras espertas, engraçadas, fora de toda a idiotização normalmente atribuida ao universo dos pequenos. As melodias exploram muito do rock, algo do samba, um tanto das canções de ninar e até eletrônico. A conquista é imediata. Pais e filhos podem, afinal, falar a mesma língua. Sem nhenhés, mimis, mumus…

O CD já é maravilhoso, mas o show é extraordinário. “O Sol e A Lua”, “Sapo-boi”, “Pequeno Cidadão”, a do futebol no recreio…todas lindas, originais. Além da parte musical, os elementos visuais e lúdicos chamam muito a a atenção. Para cada canção, um vídeo (seja desenho, stop motion, colagem) é projetado nas costas da banda. Em algumas canções, acrobatas entram no palco e tiram o fôlego de seres de 2 a 200 anos.

As crianças no palco mostram exatamente o que os pequenos querem ver: gente como eles. Meninas de roupa colorida, cantando desafinado. Meninos de bermuda, falando de futebol. Os pais corujas, babões, orgulhosos.

Fui sozinha no show e saí maravilhada com as músicas, com a presença de espírito dos pequenos sempre (crianças são o que há de mais anárquico no mundo. A revolução tá lá. Até os 12 anos…hoje menos). Os pais não têm ideia de como ficam lindos segurando bebês no colo e as mães são as mães. Correndo para não deixar um cair, o outro subir na cadeira. Que não criem pequenas mocreias do futuro.

No BIS, “Lavar As Mãos” do Arnaldo Antunes. Essa é da minha época! Do Castelo Rá-Tim-Bum! E não é que o tempo passa…

Minha mãe me diz que é o relógio biológico. Aos 23? Não acho. Me parece só uma novidade imensa essa de começar a gostar de crianças. E de querer que elas sejam o que eu fui. Uma menininha que tomou para si o apelido de Juju Faísca, por um excesso de energia e uma língua muito maior que a boca. E assim continuo.

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o trabalho que a gente não fez

(o trabalho que eu não fiz. Parar de jogar a culpa nos outros)

Jornalista é um bicho mecânico. Como numa produção em série, nos criamos exatamente iguais. A má notíca, o podre, o épico, tudo com a mesma cara, cheiro, gosto, viés, corrente (esquerda e direita são irmãs também no jornalismo, parece). Quando as boas coisas surgem, não foram pensadas por jornalistas. O site As Boas Novas, conhece? Boas notícias e só elas. Não fica bem claro se é um site mesmo ou uma campanha publicitária. A questão é que a ideia é muito boa e deveria ter sido levada à sério por jornalistas, mas tudo indica que virou realidade na mão dos publicitários.

Vale a visita e a ideia. Vale o tapa na cara do jornalismo. A famigerada ferramenta de resistência.

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Audrey Ryan – girlie music

A boa surpresa do dia

Uma resenha simpática da cantora americana Audrey Ryan, seu MySpace e suas duas ótimas músicas em um video só:

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redenção

Já devo ter dito por aqui que só o rock salva. Se não disse: SÓ O ROCK SALVA. Por mais mil preconceitos que eu ainda guarde em relação à Globo e seus globais, fui para “Rock ´N´Roll”, de Tom Stoppard, no Sesc Pinheiros. Thiago Fragoso, Otávio Augusto (genial, porra), Gisele Fróes, Bianca Comparato…não é difícil torcer o nariz ao lembrar das novelas…puro e horrível preconceito.

(Nunca tinha entrado no teatro de lá. Sala Paulo Autran. Extremamente decente.)

Antes do espetáculo já rolava uns Janis Joplin, uns Hendrix, uns Pink Floyd. Mas vamos à história:

“O espetáculo não é um musical, mas se vale do rock’n’roll como ferramenta indispensável para contar uma história sobre a desestruturação do comunismo no leste europeu. Concebida por Tom Stoppard, a trilha desfila clássicos de Rolling Stones, Velvet Underground, Beatles, John Lennon, Bob Dylan, Syd Barrett, Doors, Pink Floyd, Beach Boys, Guns’n’Roses, Grateful Dead, U2, além da banda The Plastic People of the Universe, grupo de rock que surgiu em Praga em 1968, e acabou se tornando um símbolo da resistência ao regime comunista. Rock’n'Roll se passa entre os anos de 1968 e 1990, sob uma dupla perspectiva: em Praga, na república Tcheca, onde uma banda de Rock (The Plastic People of the Universe) aparece para simbolizar a resistência ao regime autoritário comunista; e em Cambridge, na Inglaterra, onde as questões do amor e da morte definem as vidas de três gerações da família de um filósofo marxista”

Política e música. Não precisava de mais nada.  Max, o personagem de Otavio Augusto, é o comunismo vivo. Esperançoso até o último respiro da URSS e depois decepcionado, nostálgico, mas, ainda assim, incorfomado. Jan é o último dia de Centro Acadêmico. Jan é a crença de que a resistência pacífica pode mudar o mundo. Jan é o que não assina manifestos, não vai preso, que perde o rumo com o Doors tocando na vitrola.  Ferdinand é a militância burra (isso pode parecer tão redundante às vezes). No final, é a história.

Três horas de espetáculo, dez minutos de intervalo, chutes no banco de trás. Te desanima? É. Mas o rock salva. e só ele. Não vai existir cena mais especial desse domingo que a de centenas de pessoas deixando o teatro, subindo as escadas, cantarolando “I CAN´T GET NOOO SATISFACTION”

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