Arquivo para Novembro, 2009

redação…por volta das 18h

eu conheço a pessoa mais irritante do universo

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recorte

chuva da grossa. daquele tipo que forma lagos no lugar de ruas, que não deixa nenhum espaço do mundo seco, que ensopa todo e qualquer pedaço de pano que ousa passear sob ela. e lá estavam elas. uma tremendo debaixo de um guarda-chuva quebrado, esperando o temporal passar na frente de uma placa de “aluga-se”. a outra, exalando creme hidratante de cabelos mesmo na chuva, já não se importava em mergulhar os saltos de cortiça na água. sua camiseta dizia “my life is a show”. pode ser. ônibus lotados, trabalho de feriado, longas distâncias a pé, um nariz torto, um rebolado manco…a vida poderia ser um show. de horrores.

chuva grossa. e o ponto de ônibus parecia um cais, lotado de peixes de sacos plásticos, de água cristalinamente marrom, areia de sujeira que descia do boteco. as chinelas não disfarçavam os pés molhados, como a barra da calça, como os joelhos e o braço esquerdo. conformada. sinal fecha e para um carro ao lado do ponto. dois meninos na frente, dois atrás. um dele tocava flauta. virou para o vidro e sorriu para o buraco de água. alguém sorria do ponto. abriu o vidro e levou a flauta de novo à boca. o sinal abriu, o carro avançou e a menina dos pés molhados continuou no ponto que passou, sorrindo.

não quer as atualizações. não quer saber por mensagem. quer ouvir “você não imagina o que aconteceu/ o que eu fiz/vi/vivi hoje”

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feriado, jornalismo e bermudas

mais um plantão. Sim, eu ando trabalhando bastante. Não costumava reclamar disso, mas parece que eu tô com a alma meio preguiçosa, pensando só em dormir e analisando o quanto de energia que eu gasto em cada coisa que eu faço. Não cozinho, não limpo, não arrumo, pouco escrevo, saio só, saio pouco, saio perto, não quero saber de gente. Triste? Não, não sempre. Não agora, pelo menos. Posso dizer que nos últimos dias, passei 75% do tempo feliz. motivos? hum.

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uma das novatas aqui do iG (cheio de novatos :)) mandou pra gente uma dicas que circularam pelo Curso Abril, se não me engano. Acho lindo esse ânimo que as pessoas têm quando entram em alguma coisa nova (emprego, cargo, casa…enfim). É quase contagiante. Quase. E só não é completamente porque eu ando com sono e irritada.

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Bermuda não é roupa de homem. Eu entendo que eles passam calor, que não podem usar saia, vestido, como nós mulheres…mas bermuda não dá! fica com cara de mongol.

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Eu sinto extrema saudade das pessoas da minha bancada durante os plantões. Tô no ápice da frescura.

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webmail da firma não entra de casa…isso que eu chamo de sinal
pecados de ontem e hoje: ira e inveja
minha mão esquerda tá coçando: dinheiro ou sarna?

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IT´S ALWAYS BETTER IN THE HOLYDAY

NA CAIXA ALTA PRA GRITAR EM SILÊNCIO

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mamãe, o que aconteceu nos anos 00? – 1

É uma fantasia minha. Um dia, um filho pequeno na mesa da cozinha e eu passando manteiga no pão da criança…ele vai virar e me perguntar: “Mamãe onde você tava no 11 de setembro? Mãe, que que tocava no rádio em 2003? Mãe, o que o pessoal vestia em 2006? Mãe, que é mensalão?”

Passou uma década.

Lembro de ficar imaginando como eu seria nos anos 2000…com 14 anos (ohhhhhhhhhhhhhhhh). Passados 10 anos…sobraram as listas…os melhores filmes, CDs, caras, viagens, livros, matérias, situações, frases, foras, gritos, choros, manhas, conquistas fracassos.

Quando me perguntarem dos anos 00…vou falar que só lembro dos anos ímpares. 2001, 2003, 2005, 2007, 2009.

Naming the ’00s

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se jurasse, eu acreditava.
um efeito nó

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meus anticorpos se rebelaram, largaram seus postos, famílias e casas e fugiram para um outro ser que não eu. vírus, bactérias, corpos estranhos (estranhos corpos) terão moradia em mim. se a garganta cura, vem as costas. Se estas saram, me entopem o nariz e me ardem os olhos. me dizem doença, me dizem cansaço. eu digo que os anticorpos fugiram para o outro corpo de mim. do lado de lá. só voltam quando acharem uma ponte. então, fico espirrando, assoando o nariz e fazendo minha dignidade sair em gotas espalhadas pelo ambiente. é, eu tô doente.

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ispiqui tchu mi.

O que vestir em um protesto?

Acharam a garota de programa Belle du Jour…e ela é normal..e é cientista

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som do fim do mundo

quando eu era criança, tinha uma certa fascinação pelo fim do mundo. Andava com um livro velho do Nostradamus pela casa. Cheguei a levar para o colégio e ninguém deu a menor bola. 2012 chegou (o filme, não o ano) e essa coisa passou. Não vou estar viva para ver o fim do mundo, ao que parece.

*
Fãs de Cordel são escrotos em sua grande maioria. “em defesa da cultura nacional”. Tão escrotos que a própria banda tira uma com a cara deles…uma música nova, feita para uma fã que acha que eles perderam a raíz, a essência. é alguma coisa como “ela disse que tem um amor/ ela disse que tem a pureza/ ela disse que tem a verdade/ que alguma-coisa a mãe natureza”

*
Imagino o fim do mundo como o começo do show do Cordel. Um transe, uma batucada que não se pode impedir de entrar na cabeça, descer pelo corpo e te fazer….contorcer. Luzes vermelhas e o Lirinha…

*
Lirinha agradeceu ao público durante todo o show. Um gesto de gratidão que parecia verdadeiro e bastante raro aos artistas, aos poetas.

*
As fãs de Cordel não são menos histéricas que as dos Jonas Brothers

*
Os estereótipos têm me atraído muito pouco. Não precisa mais ter barba, ideais e uma pose revolucionária. cansou.

*
Qual é a da fumacinha dos shows? Aquilo fecha a garganta, irrita os olhos e não faz o efeito “nevoeiro misterioso” que eles esperam.

*
ah, sim. O Cordel. O show foi ótimo. Eu não sabia todas as músicas, nem aguentava dançar muito com o pouco espaço e as chinelas, mas é um transe. Um transe bom. Como quando alguém dirige com uma mão e usa a outra para apertar a sua. hum. esquece.

*
no fim de tudo…nem era o fim. Com aquela coisa apocalíptica, o fim foi mesmo leve, um começo de mundo. Como fogo, que só precisa de uma mínima faísca para começar de novo.

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fim de livro

(trechos de “Ouvindo Vozes: Histórias do hospício e lendas do Encantado”, de Edmar Oliveira)

“Todavia, o que é o desejo, se não um delírio que pode ser concretizado?”

“A maldade não tem ideal comum, somente pessoal”

“O desamparo de ficar só no mundo, chorar e gritar sem ser ouvido. Quase um retorno à natureza e às leis do mais forte ompindo a crueldade do ciclo da vida. Duas leoas não sobreviveriam. Duas loucas, talvez.”

“O afastamento parece trazer certa tranquilidade ao inesquecível.”

“A cristalização das ideias antigas assassinavam a vida dos excluídos do mundo, dos soterrados no hospício.”

(trecho de “Cabra-cega”, de Sérgio Sampaio)
“Pra você que mal enxerga
Um incêndio na floresta no meio da escuridão
Pra você que mal enxerga
Uma estrela, um vaga-lume numa noite de verão
Pra você que mal enxerga
Uma nave extraterrena vai ser sempre um avião
Um satélite perdido, um delírio coletivo
Um balão de São João”

“Corpos com uma determinação aparente de quem sabe aonde está indo. Numa direção. Em sentido contrário, com a mesma determinação, como se avolta fosse a continuação da ida. Outros corpos como a se deixar levar, como plumas ao vento. O trajeto pode ser modificado por qualquer percalço, que por uma dificuldade de percurso, quer por uma vantagem fortuita. O movimento de apanhar uma guimba de cigarro ao chão pode determinar, no levantar, a mudança da rota imaginária.”

“As fardas do hospício, um brim azul ou cinza, num debotado campo de concentração. As calças e camisas quase sempre de tamanhos diferentes. E, muito comum, magros com roupa de gordos, gordos em roupas de magros, grandes com roupas pequenas, pequenos com roupas maiores. Parece que o hospício faz questão de vestir de forma impossível seus habitantes. Em alguns momentos os corpos estão nus. Mas, diferente do rei, todo mundo vê e ninguém se importa.”

(Trecho de “Que loucura”, de Sérgio Sampaio)
“A minha cama já virou leito, disseram que perdi a razão”

“O que é voltar a viver senão experimentar as banalidades da vida?”

“licantropia”*

(trechos de “Anotações para o cemitério dos vivos”, de Lima Barreto)
“Quase me arrpendia de não ter querido ser como os outros. Seguir os caminhos do burro e ter feito da minha vida um paradoxo.”

“Num dado momento, trepado e de pé na cumeeira, falando, cabelos revoltos, os braços levantados para o céu fumacento, esse pobre homem surgiu-me como a imagem da revolta…Contra quem? Contra os homens?Contra Deus? Não; contra todos, ou melhor; contra o Irremediável!”

“Um pequeno meteu-se no porão, armou-se de tijolos e ameaçou nãos air de lá. Os guardas entraram lá com escudos de travesseiros.”

“Houve quem perguntasse: bebemos porque já somos loucos ou ficamos loucos porque bebemos?”

“E eu não sei morrer.”

*Licantropia clínica é uma rara síndrome psiquiátrica na qual a pessoa afetada sofre a ilusão de poder se transformar, ou de fato ter se transformado, em um animal, ou que tal pessoa é, de alguma forma, um animal

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“Acredita em fidelidade, Gustavo? ‘Nunca consegui ser monogâmico.’ Mas as namoradas não ficam enciumadas? ‘Ciúme deixa a gente feio, mas acontece.’

– Uma vez disse pra uma garota: ‘Você tem ciúmes por achar que ela é mais bonita? Seja mais bonita ainda. Por achar que ela é inteligente? Seja ainda mais inteligente. Não pode se entregar ao ciúme assim’.”

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algo vai acontecer

É sempre assim…quando eu tô irritada, cansada, entediada demais vem alguma coisa e acontece. Alguma coisa grande. Sempre quando tá tudo muito chato, quando nem o calor anima, vem uma coisa. Coisa boa. Coisa grande e boa. Daí eu viro pro lado, viro pro outro, fico fingindo não esperar coisa alguma, mas ela vem. Ninguém traz. Uma hora ela surge, quando eu esqueço da minha incômoda mania de reclamar da vida. De achar que tudo tá tão ruim que não pode piorar. E sempre pode. Mas é fifty-fifty. Pode melhorar também. E eu acho que é uma dessas que vem. Disfarço pra coisa não desistir de chegar e um dia ela vem. vem de verdade.

Preciso me animar

lini13112009

niqu13112009

preciso de uma coisa boa.

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sexta-feira 13. acordei

A semana que rendeu pouco, o táxi que cobrou errado, o apagão, a correria, a dor nas costas, a antipatia das pessoas, o cansaço.

preciso loucamente do final de semana.

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lá vai ela, toda sem história.

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ficaremos todos caídos daqui uns anos, meu caro. e o que é o outro de barba? eu acho pena. estendi a mão pro lado e me danei. um dia estaremos bem velhos e vamos lamentar os minutos perdidos. a rasteira que não demos para ver o outro cair. capa fria. mas dentro (eu confesso, confesso) acho todo essa tango jogado um saco e acho todos lindos. a gente devia mais é falar na cara e fazer de tudo, antes de ficarmos surdos, impotentes, barrigudos, carecas e tristes.

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ah, michel

“Ahmadinejad vem ao Brasil para tentar aprender com Zé Mayer a foder com tudo logo de uma vez.”

Até não poder mais.

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pago

Um dia no escuro, imagina se existisse? Um dia teve e não tanto tempo passou. Sem as faíscas de fios, um mundo movido a lamparinas, velas ou breu. Escuro não é silêncio, nem solidão, necessariamente. O fim da luz pode ser uma surpresa ou susto. E o clarão não é um caminho, nem coisa boa que seja. Do apagão vem um pavor de não ser mais moderno, de voltar no tempo das sombras, de contar histórias sem lê-las. De olho fechado se tem o melhor da vida. Naquele escuro voluntário. E se forçado é, preto igual se faz.

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helena_ignez

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acordei

…e tava tudo igual.

o de alguns tá do outro lado do mundo
o de outros tá embaixo da terra
o de tantos nem se quer existe
o meu tá lá

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20 anos sem muro (visível)

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Eu tinha tudo planejado na cabeça. Depois de assistir “500 dias com ela” eu ia sentar aqui e falar sobre o amor. Ideia idiota, como pude constatar horas depois. Em conversa com Raatz (duas citações em um dia, hein), cheguei à conclusão de que somos mesmo fodidos da cabeça. Não há romantismo que resista à realidade. Uns podem ser educados, outros inteligentes, outros fascinantes…mas no fundo todo mundo tem um defeito monstro que não consegue esconder. E se um dia alguém tolera esse defeito, no outro essa mesma pessoa não vai mais suportar. Por isso que veio a ideia do manifesto pró descomplicação das relações humanas…com o seguinte esboço de Mr. Raatz:

“quer dar* de novo, dá de novo. não quer dá, não dá. deu uma vez, não quer mais, é só dizer.”

Começou pelo sexo, como todo mundo.
* O verbo “dar” pode ser susbstituído por outros. muitos outros…por todos os que caibam nas relações humanas.

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A nossa merda de cada dia

Eu amo o Raatz porque ele me incentiva a pensar e falar merda. Outro dia tava vendo o clipe do Wander Wildner, o do amigo punk, e lembrei dele. Acho totalmente imaginável Luiz Raatz dando um mosh na redação do Estadão. Nas conversas, a conclusão é sempre a mesma: Raatz, companheiro…a gente não presta.

“Luiz – diz:
é
é um saco
eu quero que a vida me seja leve
Ju Simon diz:
então o negócio é pegar gente burra
com gente burra vc não tem problema
Luiz – diz:
serio?
hahahahaa
desenvolva
Ju Simon diz:
não tem confusão…vc tá afim, eles tb tão. vc não tá afim, eles não complicam….não discutem….ficam tristes e somem. gente inteligente quer se vingar, quer discutir, quer remoer, quer voltar
hahahahaha
foi um insight
Luiz – diz:
hahahahaha
nossa, foi mto bom
merece um post
Ju Simon diz:
huh?
Luiz – diz:
é
merece q vc desenvolva a teoria num post
Ju Simon diz:
no meu blog? ah não…..as pessoas curtem me julgar por lá…..
sou uma psicopata, ao que parece
Luiz – diz:
faz total sentido
Luiz – diz:
a teoria
nao te acho psicopata
Ju Simon diz:
tá…vou copiar essa conversa então….hahaha
Luiz – diz:
boa
me manda o endereço do seu blog
Ju Simon diz:
vou começar do que vc disse de ter a vida leve
Luiz – diz:
aquela porra vive mudando”

Esclarecimentos:

- essa conversa via MSN teve uma pequena edição….coisa de uma frase, já que tem gente babaca louca pra encher o saco (que eu SEI!).

- este blog já está na ativa há mais de um ano. Sem previsão de fim.

- se trata de uma TEORIA, que ninguém vai contestar já que ninguém se assume burro ou assume que pegou alguém de baixo QI. A não ser os homens…mulher acha bonito homem inteligente. Até eles darem no saco…ou darem no pé…

Comentários (1)

o inferno deve ser quente assim

eu não ando. marcho com os pés estendidos e chuto o ar antes do próximo passo. mais rápido. com as costas retas aponto os dedos para cima e deixo cair sobre o chão. mais rápido. um salto, dois saltos. treme o corpo. meus dedos estalados em cada grito calado no meio da rua. marcho, não ando. de raiva. o tamanho do mundo é grande, as pernas curtas. mais rápido.
***
“o que é felicidade pra você?” Beijo na orelha, cachorro e música.
***
não vou esperar, criar um cinema, um filme dramático de cada gesto. aplausos para a mocinha e uma punição para o vilão.
***
“se cuida” é a frase perfeita para uma noite de merda…23/12,23/04.
***
aquele, o outro lá…me vira do avesso sem encostar. “já sabia”, “eu sabia”…é. tenho uma boa justificativa para a preferência que eu tenho pela minha boca. ela é a parte mais anarquista do corpo. do meu, pelo menos.
***
uma menina de coleira entra no ônibus. É….eles querem cachorros.
***
às putinhas de 13 anos…que os céus abençoem seus desnudos rabos, mas saiam da porta da padaria.
***
escolhi a música errada e caí num sonho torto.

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chove em moema

chove em moema…o bairro mais impermeável de são paulo.

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a verdade

esperando notícias de várias pessoas
preguiça de toda gente
ouvindo Bidê ou Balde, Cachorro Grande, Tequila Baby, Wander Wildner, TNT e Velhas Virgens há dias
precisando de alguma novidade
curada da tosse (quase)
tô com preguiça de livros
e viciada nos e-mails
tenho vontade de dormir na varanda
e passar a madrugada num lugar longe
ou num lugar perto
mas com uma novidade
entende novidade?
sempre que eu peço uma
ela vem
e eu me arrependo de ter pedido
a noite é minha e eu não quero nem saber
37
33
27
23
.
.
.
.
.
ah.
calor.

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chanel e as moças

(Esquecendo que a Audrey Tautou é a protagonista do meu filme favorito, que eu adoro ouvir francês, que eu gosto de um drama de mulherzinha…) “Coco Antes de Chanel” não me decepcionou, como eu esperava depois de ler as resenhas espalhadas por aí.

É um “Diários de Motocicleta” para moças. E isso não é ruim. Chanel está para a moda e para as mulheres, como Che está para…os estudantes de humanidades. (hehehehe). São mitos por uma parcela de vida, um minuto de heroísmo, talento, coragem…o que quer que seja.

Mocinha ousada, Gabrielle-Coco não é diferente de muitas que passaram pelo mundo. A revolução dela foi introduzir à moda cortes mais sóbrios, confortáveis e elegantes. Isso para o mundo lá fora. Para quem vai ao cinema esperando conhecer a mulher forte, revolucionária Coco, acaba por se surpreender (até se decepcionar) com o quanto ela era normal.

Coco sofreu por amor. Quem sofre por amor não é um grande gênio. Gênios são os que conseguem sofrer e disfarçar, canalizar essa merda em outras coisas. Daí as boas músicas, as grandes guerras, os livros, as matérias, as esculturas, as próteses bem feitas, o prato bem servido, a calçada bem varrida….Coco fez roupas.

Sem título

(Ilustração de Kael Kasabian)

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quarta de folga

(se tu quiser que eu te leve, eu aprendo a dirigir)

Garganta….uns 70 %
Sem viagem
Muito sol
a maior cidade da América Latina
um querer vazio
tava bem afim de sair de short…mas eu tô gorda.

(e me falou dos seus romances que quando pensa em aprontar ela vai e apronta antes)

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acordei

a minha tosse vai passar logo

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dia 15

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Cordel, pra eu não esquecer do passado.

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mansos, uni-vos, vinde e deixai que eu mande.

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um chiado no peito, não um beijo estalado
um copo mal lavado, não uma taça de vinho
orelha de livro, não um poema no guardanapo
pó na folha da planta, não um buquê
eu, não você
*
eu tossi tanto que minha alma descolou do corpo e foi passear pelas casas dos outros
*
chupei uma bala de cânfora e soprei tinta guache
*
que quer dizer esse desprezo todo?
*
que quer dizer essa saudade toda?
*
a gente, definitivamente, não presta.

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aprendendo com jorge ben

como os alquimistas, ando evitando “qualquer relação com pessoas de temperamento sórdido”

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eu vou parar de encostar a cabeça naquele ombro
eu vou parar de encostar o ombro naquela cabeça
eu vou encostar a cabeça e parar naquele ombro
eu vou parar se um dia eu quiser
o ombro está lá e a cabeça sempre longe

meus joelhos apontam para a direita. com o resto do corpo. com a mão estendida.

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lia na borra de café que os passos seguiriam ao contrário, até o passado. duvidou e rezou para que estivesse sendo enganada. que fosse ao inferno o dinheiro e a hora perdidos. dias depois, estava lá. dito e feito. morta, enterrada e apontando a brasa do cigarro para a mesma testa de meses atrás.

naquele teatro tinha uma música alta saindo dos camarotes. subiu as escadas, ajoelhou e sentiu a vibração vinda do chão. tocavam violinos as paredes. Adagio.

com o dedão do pé, puxou a meia que lhe apertava o calcanhar. repetiu a operação e dormiu o sono dos justos. as meias ganharam vida e subiram pelas panturrilhas, circularam os joelhos, andaram pelas coxas, deram a volta pela bunda, passaram pelo umbigo, seios, se uniram em torno do pescoço. ataram, apertaram e selaram o sono.

respira no vidro, aponta o dedo sujo e escreve “eu”. do outro lado, ele esperava o ônibus na chuva lançando sorrisos nervosos de pressa. faltou mais ar. outro bafo no vidro. “eu te”. subindo no ônibus, ele curva os dedos formando um patético, mas sincero, coração. atira um beijo e se vai. mais um pouco de ar quente no vidro. “eu te traí”. um dedo desencosta do vidro e vira uma mão na coxa ao lado, dentro do café.

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